A Argentina acumula um estoque excedente de 100 mil carros 0 km, segundo Sebastián Beato, presidente da Acara (associação que reúne os principais concessionários de carros do país). Enquanto isso, as vendas locais caíram cerca de 10% em relação aos primeiros meses de 2025.
Estoque equivale a três meses de vendas
“Hoje temos 140.000 carros distribuídos entre terminais e redes de concessionárias. Com uma patente de 40.000 carros, falando em números redondos, estamos falando de praticamente três meses de estoque e a verdade é que é muito. Geralmente, o mercado normal tem um mês, um mês e meio no máximo”, explicou Beato em entrevista ao Diario Uno, jornal da cidade de Mendoza.
No caso argentino, o termo “patente” se refere aos veículos efetivamente emplacados no período. Ou seja, com cerca de 40 mil unidades registradas por mês, o estoque atual equivale a aproximadamente três meses de vendas.
Financiamento e queda de preços como soluções
Como solução, o executivo defende o financiamento. Para ele, o aumento da oferta de crédito ajudaria a alavancar as vendas, juntamente com a queda dos preços: “A queda de preço também: é a sinceridade do terminal, do concessionário, e uma redução de impostos, financiamento de longo prazo ou taxa zero ou baixa, é outro que aumenta as vendas.”
Em abril do ano passado, a própria Acara recomendou que os argentinos aguardassem para comprar um carro novo, uma vez que a tendência era de os preços baixarem.
Montadoras revisam metas para 2026
Com o mercado em baixa, montadoras já começaram a rever suas metas. No início do mês, durante o lançamento do RAV4 e do bZ4X, a Toyota contou à imprensa argentina que não espera mais que o mercado local atinja as 700.000 unidades.
“Em dezembro do ano passado, fizemos uma projeção de vendas do mercado automotivo argentino para 2026 de 700 mil unidades [...] No entanto, nesse ritmo, é muito difícil alcançar 650 mil ou 700 mil, considerando o volume que já foi perdido nos primeiros meses. Algo que se pode esperar é que ele alcance 610 mil”, disse Gustavo Salinas, presidente da Toyota Argentina.
Mercado confuso e entrada de marcas chinesas
Beato afirma que esse mau momento não chega a ser uma crise, mas sim uma desaceleração de um mercado “confuso”. Segundo o executivo, o mês de junho já começa a dar indícios de melhora.
“Por que eu digo confuso? Há uma variedade muito grande de modelos, muitas outras marcas e muita tecnologia. Hoje, um cliente está hesitando entre um híbrido, híbrido plug-in, elétrico, a combustão ou diesel”, explica Beato.
Somado a isso, ainda há a entrada de diversas marcas chinesas na Argentina. Atualmente, segundo o próprio Beato, há 32 marcas atuando por lá, com mais seis chegando até o fim do ano.



