A Nuvemshop, uma das maiores plataformas de e-commerce da América Latina, adota uma estratégia oposta à de gigantes do varejo que buscam se tornar marketplaces. Para Alejandro Vázquez, cofundador da empresa, a dependência excessiva de um único canal de vendas é o maior risco para um empreendedor. “Se o marketplace representa 80% da sua receita, uma mudança de algoritmo pode matar seu negócio”, afirmou Vázquez em entrevista ao InfoMoney.
Estratégia holística e controle do lojista
A empresa oferece uma plataforma que integra e-commerce, lojas físicas e marketplaces, devolvendo ao lojista o controle sobre dados, estoque e relacionamento com o consumidor. Atualmente, a Nuvemshop processa cerca de 2% do e-commerce brasileiro e 5% do argentino. Com capital sólido de rodadas de investimento em 2021, a empresa foca em lucratividade e eficiência, ajudando desde pequenas marcas nativas digitais até grandes redes com faturamentos milionários.
Origens e crescimento na América Latina
Fundada em 2008 na Argentina por cinco sócios, a Nuvemshop começou como um projeto universitário. Inicialmente, tentaram criar um marketplace conectado a redes sociais, mas pivotaram para uma plataforma simples de e-commerce. Em 2012, a empresa expandiu para o Brasil, que hoje abriga mais de 1.000 dos 1.500 funcionários. Vázquez, que morou 12 anos no Brasil, afirma: “Nos consideramos uma companhia brasileira que opera em outras geografias”.
Pandemia e aceleração
Durante a pandemia, a Nuvemshop saltou de 30 mil para 70 mil clientes em um ano. A equipe cresceu de 180 para 400 pessoas em 2020 e chegou a 800 no final de 2021, impulsionada por duas rodadas de investimento: US$ 90 milhões e US$ 500 milhões, com fundos como Tiger, Insight e Accel. Esse capital permitiu lançar soluções de logística (Nuvem Envio) e pagamento (Nuvem Pago), além de investir em atendimento.
Particularidades do e-commerce latino-americano
Vázquez destaca o “conversational commerce” como diferencial regional: 70% das vendas online na América Latina envolvem interação com a marca antes da compra, seja por WhatsApp, Instagram ou e-mail. Para atender essa demanda, a Nuvemshop lançou o Nuvem Chat com IA, que oferece atendimento 24 horas com o tom de voz da marca.
Cenário atual e metas futuras
Hoje, a plataforma atende mais de 180 mil marcas. Clientes maiores chegam a receber 100 mil pedidos mensais e faturar R$ 20 milhões apenas no digital. A empresa cresceu 75% no último ano e planeja alcançar 1 milhão de marcas e processar 10% do e-commerce da América Latina na próxima década. “O e-commerce representa 15% do varejo hoje, contra 1% quando começamos. Na China, é 50%. Ainda há muito espaço”, afirma Vázquez.
Inteligência Artificial e investimentos
A Nuvemshop investe mais de R$ 100 milhões em IA em 2024, desenvolvendo o “Lumi”, um copiloto para lojistas com insights de negócio e criação de conteúdo. Vázquez vê três fases para o e-commerce com IA: comércio conversacional, descoberta via LLMs (ChatGPT, Gemini) e agentes personal shoppers. A empresa continua capitalizada e não planeja nova captação, mas considera um IPO em cerca de cinco anos.



