Vozinha e a redenção de Cabo Verde: goleiro que nasceu do '7 a 1'
Vozinha e a redenção de Cabo Verde: goleiro que nasceu do '7 a 1'

Trauma ou redenção? O 7 a 1 da Alemanha sobre o Brasil, em 2014, ecoou de forma inusitada em Cabo Verde. O goleiro Josimar 'Vozinha', herói do empate sem gols contra a Espanha na Copa de 2026, carrega no nome a lembrança de um dos maiores vexames do futebol brasileiro. Mas sua história é de superação e orgulho para a nação insular.

A origem do nome Vozinha

Em fevereiro de 1986, o lateral Leandro, do Flamengo, desistiu de jogar a Copa do Mundo no México devido a dores no joelho e insatisfação com a posição. Com sua ausência, o técnico Telê Santana convocou Josimar, do Botafogo, que nem sequer havia estreado pela seleção. Josimar brilhou, marcando dois gols antológicos, contra Irlanda do Norte e Polônia. Dias antes de sua estreia, em Cabo Verde, nascia um menino que recebeu o nome de Josimar em sua homenagem. O pai, fã do futebol brasileiro, batizou o filho de Josimar Reis, que mais tarde seria conhecido como Vozinha.

O goleiro que calou a Espanha

Quarenta anos depois, Vozinha é o goleiro titular de Cabo Verde na primeira Copa do Mundo do país. Na estreia, contra a favorita Espanha, ele fez defesas milagrosas, incluindo um pênalti, garantindo o empate em 0 a 0. O resultado foi celebrado como uma das maiores zebras do torneio. Cabo Verde, nação de 600 mil habitantes, jamais havia disputado um Mundial, e Vozinha se tornou símbolo da resistência e da garra.

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O contexto do 7 a 1

A referência ao 7 a 1 surge como contraponto: enquanto o Brasil sofria sua pior derrota, Cabo Verde dava os primeiros passos no futebol internacional. O goleiro Vozinha, cujo nome remete ao algoz brasileiro, se tornou o herói de um país que luta contra a imigração e a discriminação. 'Se a pentacampeã só empata com uma seleção estreante, cai Ancelotti, Bolsonaro, Xandão. E até a saudosa Palmirinha', ironiza o jornalista Mauro Beting.

Uma história de superação

Vozinha não é apenas um goleiro; é a personificação da resiliência cabo-verdiana. Dos 26 convocados, muitos nasceram na diáspora, nos Estados Unidos, Holanda, França, Luxemburgo, Irlanda e Portugal. O time é um mosaico de histórias de imigração e sucesso. Em campo, Vozinha liderou uma defesa sólida que anulou a Espanha, mesmo com apenas uma finalização a gol. A partida decepcionante dos espanhóis contrastou com a determinação africana.

Para Cabo Verde, o empate é mais que um ponto: é a afirmação de que o futebol pode ser instrumento de redenção. Vozinha, o goleiro que nasceu do 7 a 1, agora escreve sua própria história, uma de orgulho e esperança.

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