A África do Sul registrou, nesta terça-feira (30), uma série de protestos contra a imigração ilegal, que resultaram em mais de 900 prisões e quatro mortes. O balanço divulgado pela polícia local nesta quarta-feira (1º) indica que, das 120 marchas realizadas em todo o país, 108 foram pacíficas, enquanto 12 exigiram intervenção das forças de segurança devido a distúrbios.
Detidos e vítimas
O vice-comissário da polícia nacional, Tebello Mosikili, informou em coletiva de imprensa que os detidos incluem imigrantes indocumentados, presos por violação das leis de imigração, além de pessoas acusadas de violência pública, abrigar imigrantes ilegais e roubo. Pelo menos quatro pessoas foram mortas e milhares de estrangeiros foram expulsos de suas casas, enquanto outros tiveram seus negócios e propriedades vandalizados.
Contexto dos protestos
Os manifestantes, muitos envoltos em bandeiras da África do Sul e portando armas de madeira, marcharam por várias cidades contra a presença de imigrantes ilegais. Os protestos marcaram o fim do prazo para que estrangeiros sem documentos deixassem o território. Milhares de pessoas de outros países africanos já haviam fugido antes dessa data, com lojas fechadas e trabalhadores estrangeiros permanecendo em casa para evitar novos conflitos.
Líder do movimento antimigrante
A líder do movimento antimigrante, Jacinta Ngobese, do grupo “March and March”, afirmou que organizará marchas semanais até que seus objetivos sejam alcançados. “Nos próximos seis meses, pedimos que nossos recursos nacionais sejam utilizados para expulsar os imigrantes ilegais deste país. De prédio em prédio, eles precisam ir embora”, disse Ngobese em Durban.
Manifestantes e alegações
Entre os participantes estava Silindile Xaba, de 31 anos, que afirmou: “As pessoas não estão trabalhando, os empregos estão sendo ocupados por estrangeiros ilegais. Não é justo.” Políticos têm sido acusados de se alinhar à xenofobia para conquistar votos nas eleições locais previstas para novembro.
Violência e intervenção policial
Embora muitas marchas tenham sido pacíficas, houve sinais esporádicos de violência. Em Thembisa, subúrbio ao norte de Joanesburgo, manifestantes atiraram pedras contra a polícia e supostos migrantes, com tiros esporádicos ouvidos próximos ao distrito comercial central. Segundo o jornal Daily Maverick, a polícia mobilizou veículos táticos e disparou tiros em Benoni, a leste de Joanesburgo, após ser ameaçada por 500 manifestantes. No bairro de Soweto, barracos de estrangeiros foram saqueados, conforme a emissora nacional SABC. Em Pietermaritzburg, perto de Durban, a polícia usou balas de borracha para dispersar manifestações.
Reputação e contexto social
O sentimento anti-imigrante e a percepção de falha policial na proteção das vítimas têm manchado a reputação da África do Sul, que na era pós-Nelson Mandela era vista como defensora dos direitos humanos. Os imigrantes são acusados de roubar empregos, aumentar a criminalidade e sobrecarregar os serviços públicos, mas cientistas sociais afirmam que essas alegações carecem de evidências. Três décadas após o fim do apartheid, o país continua desigual, com um terço da população desempregada, embora continue sendo a maior economia da África e atraia migrantes. A população de imigrantes é de cerca de 3 milhões, aproximadamente 4% do total, uma proporção baixa em comparação com os padrões globais.



