Descendente de libaneses ensina receita de falafel em Itapetininga
Descendente de libaneses ensina receita de falafel em SP

No Dia do Imigrante, celebrado em 25 de julho, o g1 apresenta o preparo do falafel, quitute típico da culinária libanesa, ensinado por Fuad Abrão Isaac, de 75 anos, descendente de libaneses em Itapetininga (SP). A reportagem também destaca histórias de famílias que mantêm vivas as tradições trazidas pelos imigrantes.

Receita de falafel: o segredo está no processamento a seco

Fuad, professor e comerciante, aprendeu a receita com sua mãe, Therezinha Fuad, de 90 anos. O falafel é um bolinho frito de grão-de-bico cru hidratado e ervas frescas. Segundo ele, o segredo para uma massa crocante é processar os ingredientes a seco e refrigerar a massa antes de fritar.

Ingredientes: 250 g de grão-de-bico cru, 1/2 cebola média picada, 1/2 xícara de salsa fresca, 1/2 xícara de coentro fresco, 1 colher de chá de cominho em pó, 1 pimenta vermelha, 1 colher de chá de sal, 2 colheres de sopa de farinha de rosca de grão-de-bico. O óleo para fritar deve ser de girassol ou milho.

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Modo de preparo: hidrate o grão-de-bico por 12 a 24 horas, escorra e seque bem. Processe com cebola, salsa e coentro até textura de farofa. Misture com temperos e farinha de rosca. Leve à geladeira por 30 a 60 minutos. Modele bolas de 30 g e frite em óleo a 160°C por 3 a 4 minutos. Sirva com molho taratour (tahine, limão, sal e alho) e salada.

Imigração libanesa em Itapetininga

Os avós de Fuad chegaram ao Brasil em 1906 e 1913, fugindo do Império Otomano. Ele abriu o restaurante Árabe Bistro em 2014, oferecendo pratos como kibe, esfiha e homus. "Sempre sonhei em abrir um restaurante. A inspiração veio da minha mãe", conta Fuad. O cardápio é baseado nas receitas dela.

Fuad ressalta a importância de manter a cultura viva: "Uma das razões de abrir um restaurante árabe é para manter a cultura e essa história viva. O que tem história tem valor".

Açougue do Said: tradição suína desde 1952

Em 1926, Said Youssef Wehbe, aos 14 anos, deixou o Líbano e se estabeleceu em Itapetininga. Em 1952, inaugurou o Açougue do Said, especializado em carne suína artesanal. Hoje comandado pelo filho João Said, de 78 anos, o estabelecimento preserva receitas de linguiça caseira. "Meu pai e minha mãe formaram uma tradição do trabalho somente com o suíno", explica João.

João destaca o orgulho da herança libanesa: "Eu tenho muito orgulho em ser, e meus pais nos deixaram uma herança muito grande".

Primeira tabacaria da cidade: Casa Bittar

O libanês Issa Bittar chegou ao Brasil em 1947 e, em 1951, criou a Casa Bittar, primeira tabacaria de Itapetininga. O neto Valdir Gregorio Maschietto Junior, de 35 anos, conta que o avô começou trabalhando em um café. A loja vendia charutos, cutelaria e artigos diversos. Após o falecimento de Issa em 1985, a família manteve o negócio, transformando-o em cafeteria libanesa em 2023.

Valdir afirma: "A importância da preservação da cultura libanesa se dá pela preservação da história do município. Grande parte de nós é descendente de imigrantes".

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