Setor aeroespacial dispara com IPO da SpaceX e contratos da Nasa
Setor aeroespacial dispara com IPO da SpaceX e Nasa

A iminente estreia da SpaceX na bolsa de valores impulsionou o desempenho de outras companhias aeroespaciais listadas nos Estados Unidos. O casamento entre um ciclo de investimentos agressivo do governo americano e entregas operacionais reais também sustenta os movimentos recentes nas ações. No entanto, esse ciclo pode esconder os desafios de um setor bastante segmentado e composto por empresas altamente voláteis.

ETFs do setor registram ganhos expressivos

O ETF temático do setor espacial UFO acumula alta de cerca de 29% neste ano, tendo atingido um pico de valorização de 68% no fim de maio. Outro fundo de índices exposto a empresas do setor, o NASA, anota ganhos de 14% no ano. No ramo de lançamentos de foguetes, a Rocket Lab é a principal referência, amplamente considerada a “número 2” do segmento, atrás da SpaceX. No primeiro trimestre de 2026, a empresa reportou receita de R$ 200 milhões, alta anual de 64%, com um backlog recorde de US$ 2,2 bilhões.

Divisão de sistemas espaciais supera lançamentos

“Um detalhe relevante: sua divisão de sistemas espaciais (componentes, software, satélites) já fatura mais do que o negócio de lançamento”, destaca o CEO da Gravus Capital, Ricardo Trevisan. A companhia opera atualmente com lançamentos do foguete Electron, e parte do mercado precifica suas ações considerando o desenvolvimento da próxima aeronave, o Neutron, previsto para 2026 após atrasos. Esse cenário explica um dos principais riscos das companhias de lançamento: atrasos no calendário tecnológico tornam os papéis muito voláteis.

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Volatilidade e múltiplos elevados marcam o setor

Não é incomum que essas companhias enfrentem variações positivas ou negativas de 15% a 20% dentro de um mesmo pregão devido a notícias sobre contratos ou o andamento de novos projetos, explica o diretor do family office Eclipseon, Ricardo Simon. Além disso, as empresas do setor operam com múltiplos muito elevados, ampliando a margem de volatilidade. A SpaceX, por exemplo, estreia com um preço de mercado equivalente a 92 vezes sua receita, valor próximo ao da Rocket Lab, de 94 vezes. Em comparação, a Palantir, ação mais cara da S&P, negocia a 62 vezes.

Investimentos da Nasa alimentam otimismo

O contexto dos últimos anos foi favorável. Desde que o presidente Donald Trump nomeou Jared Isaacman para o principal cargo da administração na Nasa, o ritmo de anúncios de novos projetos relacionados à base lunar e ao programa Artemis acelerou. “Como várias das empresas têm parcela relevante da receita vinculada à Nasa, elas se beneficiam diretamente desse planejamento mais agressivo”, afirma Simon. A expectativa é que o programa Artemis leve o homem novamente à Lua até 2028.

Um exemplo emblemático é a Intuitive Machines. Três contratos com a Nasa para a produção de equipamentos embarcados são suas principais linhas de receita pelos próximos anos, somando US$ 377 milhões em lançamentos até 2030. “O papel oscila de forma intensa a cada notícia de novo contrato ou anúncio relacionado ao programa Artemis. Para essa empresa, notícias da Nasa são o principal driver de preço”, aponta Simon.

A Intuitive Machines deixou 2025 com receita de aproximadamente US$ 210 milhões e projetou faturamento de US$ 900 milhões a US$ 1 bilhão em 2026. As ações da companhia valorizaram 50% neste ano, mas chegaram a um pico de 155% em maio.

Infraestrutura de conectividade e observação como negócios mais previsíveis

Embora o lançamento de foguetes seja a atividade de maior visibilidade, ele representa apenas uma parte da economia espacial. A infraestrutura de conectividade por satélites, tecnologia de exploração lunar ou observação terrestre, em muitos casos, reúne negócios mais previsíveis. “Talvez a melhor forma de resumir o setor seja uma analogia simples: quem ganha dinheiro de forma mais consistente em infraestrutura nem sempre é quem constrói a estrada, mas quem cobra o pedágio sobre ela”, aponta o sócio-fundador da Private Investimentos, Cleiton Souza.

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No caso da própria SpaceX, a unidade de satélites orbitais Starlink ajuda a ancorar o valor de mercado da companhia. Há ainda exemplos como a AST SpaceMobile, que valorizou mais de 200% em doze meses de 2025, embora ainda seja muito dependente dos lançamentos da Blue Origin e queime caixa, com prejuízo de US$ 191 milhões no primeiro trimestre deste ano.

Trevisan cita nomes mais maduros em conectividade, como Iridium, Viasat e Globalstar, todas listadas em bolsa. Ele menciona ainda companhias de observação terrestre, como a Planet Labs, dona da maior constelação de imageamento do planeta, com receita anual recorde de US$ 307,7 milhões puxada por contratos de defesa e inteligência com NGA, NRO, Nasa, Marinha dos EUA e Otan.

IPO da SpaceX pode ser recorde

A expectativa é que a SpaceX faça um IPO recorde de US$ 75 bilhões, o que avaliaria a companhia em US$ 1,77 trilhão.