O presidente da Fifa, Gianni Infantino, admitiu nesta segunda-feira que recebeu uma ligação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a suspensão do jogador Folarin Balogun, mas defendeu a independência dos órgãos judiciais da entidade. A declaração ocorre após a polêmica reversão da suspensão que impedia Balogun de jogar na Copa do Mundo de 2026.
Ligação de Trump e decisão judicial
Infantino confirmou o contato telefônico com Trump, mas afirmou que a decisão de reverter o cartão vermelho de Balogun foi tomada de forma independente pelo Comitê Disciplinar da Fifa. "Os órgãos judiciais são independentes e agem de acordo com as regras", declarou Infantino. A ligação de Trump, segundo ele, foi um pedido de esclarecimento sobre o processo, não uma interferência.
Balogun foi expulso durante a partida contra o Brasil, na fase de grupos, por uma entrada considerada violenta. A Fifa inicialmente aplicou uma suspensão de três jogos, mas o Comitê Disciplinar reverteu a punição após recurso da federação americana, permitindo que Balogun atuasse contra a Bélgica nas oitavas de final.
Reações e críticas
A reversão gerou fortes críticas, especialmente da Uefa, que classificou a medida como "inédita e injustificável". A federação belga também recorreu da decisão, alegando violação das regras disciplinares. "A Fifa precisa garantir que todos os jogadores sejam tratados com igualdade", disse um porta-voz da Uefa.
Especialistas apontam que o caso pode abrir precedentes perigosos. "A interferência política, mesmo que indireta, enfraquece a credibilidade das instituições esportivas", afirmou o analista de direito esportivo Carlos Mendes.
Impacto na Copa do Mundo
Balogun, atacante da seleção dos EUA, é uma peça-chave no esquema tático do técnico Gregg Berhalter. Sua presença contra a Bélgica foi crucial para a vitória por 2 a 0, que classificou os EUA para as quartas de final. Até o momento, Balogun marcou três gols no torneio.
A Fifa não divulgou detalhes sobre os critérios usados para reverter a suspensão, mas Infantino garantiu que todas as decisões seguem o código disciplinar. "Não há favorecimento. A justiça esportiva é cega", afirmou.



