Eliminação do Brasil expõe crise de identidade com posse de bola
Eliminação do Brasil expõe crise de identidade com posse

A eliminação do Brasil na Copa do Mundo para a Noruega escancarou uma crise de identidade tática. Com apenas 30% de posse de bola, a Seleção teve o pior controle de jogo dos últimos 60 anos em Mundiais. A Noruega trocou 683 passes contra 347 do Brasil, praticamente o dobro, e construiu a vitória com paciência e troca de passes coordenada por Martin Odegaard.

Estratégia reativa não funciona

O técnico Carlo Ancelotti optou por um time reativo, que marcava no campo de defesa e buscava contra-ataques rápidos. A tática funcionou no primeiro tempo, quando o Brasil criou chances, inclusive um pênalti desperdiçado. No entanto, a Noruega se adaptou e passou a controlar o jogo com toques curtos e aproximações. “Parecia um jogo que a equipe tinha controlado, tivemos oportunidades. Era muito mais complicado fazer a pressão alta, porque a Noruega metia muitos jogadores atrás, baixava muito o Odegaard”, explicou Ancelotti.

Vini Jr. reconheceu a surpresa: “Nunca é nossa estratégia ficar atrás. Mas acredito que a Noruega nos surpreendeu. Conseguiram colocar muitos jogadores atrás da linha da bola e conseguiram mover muito bem. O Odegaard consegue controlar os jogos e hoje ele fez isso.”

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Números históricos negativos

A posse de bola de 30% é a pior da Seleção Brasileira em Copas nos últimos 60 anos. A Noruega teve a bola por 31 minutos contra 18,5 do Brasil. Apesar disso, o Brasil finalizou mais que o adversário. Alisson destacou a criação de chances: “Com certeza é uma coisa que temos que melhorar. Mesmo assim, com 30% de posse, criamos mais que o adversário.”

Para o comentarista Roger Flores, a estratégia foi mal sucedida: “Sobre essa posse de bola, resultado de uma estratégia muito mal sucedida. Seleção norueguesa, hoje, tem uma equipe coletiva melhor do que a Seleção Brasileira. E quando você dá a bola a um adversário que coletivamente é melhor do que você, você consequentemente vai sofrer.”

Críticas à escalação e ao estilo

A comentarista Ana Thaís Matos apontou vulnerabilidade no meio-campo: “Eu acho que a escalação inicial deixou o Brasil um pouco mais vulnerável de pegada no meio de campo. Para mim, o Paquetá fez muito mais falta para a equipe para ajudar o Bruno Guimarães.” Já Caio Ribeiro afirmou que a estratégia foi do treinador e não funcionou: “A gente não foi envolvido só pela qualidade do adversário. Porque nós optamos por sermos um time reativo, um time que marcava no campo de defesa e saía rápido no contra-ataque. Então, foi uma estratégia do nosso treinador. E não funcionou.”

Paulo Nunes, comentarista, reforçou a crise de identidade: “Quando você contrata um treinador com o perfil do Ancelotti, você muda essa característica, esse perfil. O Ancelotti, nos dois livros dele, ele explica muito sobre isso. Ele gosta de dar a bola ao adversário, gosta de jogar no contra-ataque, nas transições. Ele fez isso no Milan, no Real Madrid, no Bayern. Mas você não pode, uma Seleção Brasileira, em uma Copa do Mundo, dar a bola para a Noruega. A Noruega não teve mais posse de bola que Senegal, do que a própria França, do que o Iraque. Então é um risco que não pode ser tomado.”

Futuro da Seleção

Para Paulo Nunes, é preciso dar tempo para Ancelotti em um novo ciclo de quatro anos, mas também resolver carências em posições como laterais, volantes e principalmente um meio-campo criativo. “Se a gente tivesse um Odegaard na nossa Seleção Brasileira, a Seleção Brasileira seria outra”, concluiu.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar