Carlo Ancelotti, o técnico italiano que comanda a seleção brasileira desde 2024, conseguiu o que parecia impossível: romper a histórica resistência a treinadores estrangeiros e conquistar de vez a torcida brasileira. Com um currículo recheado de títulos e um carisma natural, Ancelotti se tornou não apenas o comandante da equipe, mas também o principal garoto-propaganda da CBF e uma figura central na reconstrução da confiança do torcedor.
Resistência histórica e virada de chave
A ideia de um estrangeiro no comando da seleção sempre foi vista com desconfiança no Brasil. Desde a era de Telê Santana, passando por Zagallo, Parreira e Felipão, o cargo era quase um patrimônio nacional. No entanto, a sequência de fracassos em Copas do Mundo — especialmente o vexame de 2022, quando o Brasil caiu nas quartas para a Croácia — abriu espaço para uma mudança de paradigma. A CBF, então presidida por Ednaldo Rodrigues, apostou em Ancelotti, que já tinha livre acesso ao futebol brasileiro por sua passagem vitoriosa pelo Real Madrid e por seu conhecimento do estilo de jogo sul-americano.
O italiano, de 66 anos, soube usar sua experiência e seu perfil carismático para quebrar barreiras. Em menos de dois anos, ele já é visto como um dos maiores nomes da história recente da seleção. Pesquisa Datafolha divulgada em junho de 2026 mostra que 78% dos torcedores aprovam seu trabalho, um número raro para um técnico estrangeiro.
Carisma e marketing: o garoto-propaganda da CBF
Ancelotti não é apenas um estrategista à beira do campo. Sua imagem estampou campanhas publicitárias de patrocinadores da CBF, como uma grande marca de cerveja e um banco, e ele participa ativamente de ações de marketing. Em um comercial recente, o técnico aparece dançando funk ao lado de jogadores, o que viralizou nas redes sociais. "Ele tem o 'molho', como dizem os jovens. Conecta-se com o torcedor de uma forma que poucos técnicos conseguem", afirma o publicitário Marcos Lira, especialista em branding esportivo.
Nas redes sociais, Ancelotti é um fenômeno. Seu perfil no Instagram ultrapassou 15 milhões de seguidores, e cada post seu sobre a seleção gera milhares de interações. A CBF viu no italiano a oportunidade de renovar a marca da equipe, que antes era associada apenas a jogadores como Neymar e Vinícius Júnior.
Resultados em campo: a confiança volta
Mas não é só marketing. Em campo, Ancelotti correspondeu. Desde que assumiu, o Brasil venceu 24 dos 30 jogos disputados, com aproveitamento de 80%. Na Copa América de 2024, o time foi campeão invicto, e nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2026, a seleção lidera com folga. "Ele trouxe organização tática sem perder a essência do futebol brasileiro. O time joga bonito, mas também é eficiente", analisa o ex-jogador e comentarista Casagrande.
A confiança da torcida voltou. Nas arquibancadas, é comum ver faixas com o rosto do técnico e gritos de "Ancelotti, Ancelotti" ecoando. O italiano, que já conquistou a Champions League quatro vezes, agora busca o maior título de todos: o hexacampeonato mundial para o Brasil.
O futuro: legado e desafios
Ancelotti tem contrato até 2028, e a CBF já sinaliza que deseja renovar. O técnico, porém, mantém os pés no chão. "Estou muito feliz aqui. O carinho do torcedor brasileiro é algo único. Mas ainda temos muito trabalho pela frente", disse em entrevista recente. O principal desafio será a Copa do Mundo de 2026, nos Estados Unidos, Canadá e México, onde o Brasil tentará quebrar o jejum de 24 anos sem o título.
Se depender da torcida, Ancelotti já é considerado um herói. O italiano que um dia foi visto com desconfiança hoje é o rosto da esperança de um hexa. E, mais do que isso, o símbolo de que o futebol brasileiro pode se reinventar sem perder sua alma.



