Helen Folasade Adu, conhecida como Sade, completa 67 anos e vive um renascimento entre os jovens. A cantora, que foi uma das maiores popstars dos anos 1980, tornou-se tendência no TikTok, atraindo uma nova geração de fãs que sequer eram nascidos em seus tempos de glória. Um exemplo é a influencer inglesa River Brown, de 22 anos, que criou a conta @sadeaduwife. A página acumula mais de 370 mil seguidores e sete milhões de likes, com vídeos de shows e raras aparições da musa.
O estilo Sade e sua influência no hip hop e no jazz
O visual marcante de Sade – cabelos puxados para trás, maquiagem discreta, batom vermelho-sangue, brincos de argola e roupas de gola alta – é reproduzido em tutoriais por outras contas. O rapper Drake tem uma tatuagem com o rosto da cantora e uma escultura de quase três metros da capa do álbum Love Deluxe (1992). Ele é um dos muitos astros do hip hop que sampleiam suas canções. No jazz moderno, o pianista Robert Glasper recriou Cherish the Day em seu disco Black Radio (2012). No pop atual, artistas como Olivia Dean, Cleo Sol (do SAULT) e Naomi Sharon trazem o DNA de Sade em suas interpretações.
Sade no Brasil: dos Racionais MC's a Luedji Luna
No Brasil, Sade também tem admiradores. O grupo Racionais MC's sampleou a canção Pearls (no trecho em que ela grita “Aleluia”) em Capítulo 4, Versículo 3, do álbum Sobrevivendo no Inferno (1997). A cantora Thalma de Freitas fez uma versão dance de Paradise, do disco Stronger than Pride (1988). Já Luedji Luna criou um show tributo à popstar.
Quem é Sade Adu: da Nigéria ao estrelato
Helen Folasade Adu nasceu em Ibadã, na Nigéria, filha de um professor universitário e de uma enfermeira inglesa. Após o divórcio dos pais, mudou-se com a mãe para a zona rural da Inglaterra. Estudou moda na Saint Martin’s School of Art, em Londres, onde desenvolveu sua estética visual. Trabalhou como modelo e começou a cantar como vocalista de apoio na banda Pride, onde conheceu os futuros integrantes do grupo que levaria seu nome: o saxofonista Stuart Matthewman, o tecladista Andrew Hale e o baixista Paul S. Denham. A banda lançou Diamond Life em 1984, disco que mescla soul americano dos anos 1970, jazz e bossa nova, a ponto de ser rotulada como new bossa, gênero que incluía Matt Bianco, Everything but the Girl e Style Council. O saxofone e a percussão de Smooth Operator, seu primeiro sucesso, têm influência brasileira.
O estilo musical e as letras melancólicas
As canções de Sade são lentas, contemplativas, em tom menor, com letras sobre amores perdidos e jornadas incertas, cantadas em sua rouca voz de contralto. Exceções incluem It is a Crime (do álbum Promise, 1985), uma interpretação rasgada sobre amor não correspondido, e faixas mais solares como Paradise e Nothing Can Come Between Us (Stronger than Pride, 1988).
Uma artista avessa à fama
Sade sempre foi discreta. Em 1997, em Montego Bay, Jamaica, recusou-se a parar para a polícia, gerando uma perseguição pelas ruas. Após Love Deluxe (1992), seus lançamentos se tornaram escassos: Lovers Rock saiu oito anos depois, e Soldier of Love (2010) demorou uma década. Questionada sobre o hiato, respondeu com ironia: “Me tranquei numa caverna e só agora tive forças para retirar a pedra da entrada.” Ela só interrompe os hiatos quando sente que tem algo a dizer, geralmente sobre causas humanitárias. A canção Mum (2005) foi para vítimas do genocídio em Darfur, Sudão. Young Lion (2024) aborda a transição de seu filho, Izaak Theo Adu, que nasceu como Mickailia “Ila” Adu. A letra diz: “Meu jovem/ Tem sido tão pesado/ Me perdoe, filho/ Eu deveria ter percebido”. A faixa integra TRAИƧA (2024), projeto da Red Hot Organization.
Entrada no Rock & Roll Hall of Fame
No dia 16 de novembro, Sade e sua banda devem estar no Teatro Peacock, em Los Angeles, para celebrar sua entrada no Rock & Roll Hall of Fame. A honraria coroa uma das popstars mais emblemáticas das últimas quatro décadas.



