Lepo Lepo: o pagode baiano que virou hino contra o capitalismo
Lepo Lepo: pagode baiano vira hino anticapitalista

Em 2014, o Brasil descobriu que para ser amor verdadeiro não precisava ter o carro do ano, nem mesmo apartamento próprio. Bastava, somente, fazer um bom 'Lepo Lepo'. Com um refrão que se tornou onipresente em questão de semanas, o Psirico provou que o pagode baiano tem sempre fôlego para parar o país. A música já chegou ao Carnaval de Salvador daquele ano com a fama de 'já ganhou'.

Composição e contexto

Composta por Filipe Escandurra e Magno Sant'Anna, a letra era uma resposta bem-humorada à ostentação que dominava o funk e o sertanejo naquela época. Em entrevistas, Márcio Victor, vocalista da banda, chegou a dizer que 'Lepo Lepo' era o jeitinho baiano de falar de amor e que a música podia ser encarada como um grito contra o capitalismo. Diferente dos hits que falavam de Camaro Amarelo, o personagem de 'Lepo Lepo' era um pé-rapado, mas que mesmo com o salário atrasado, garantia que seu 'talento' na cama compensava tudo.

Explosão nacional e influência do futebol

A explosão nacional também teve uma ajuda de peso: no futebol, Neymar e Daniel Alves comemoraram gols pelo Barcelona rendidos àquela coreografia das mãozinhas em que as palmas abertas simulavam tapas de um lado para o outro. A faixa acabou sendo eleita por unanimidade a 'música do Carnaval' e ficou entre as mais tocadas nas rádios daquele ano.

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Legado do Psirico

Antes do fenômeno, o Psirico já era uma das maiores instituições da Bahia. Mas 'Lepo Lepo' foi além, atingindo um patamar de hit que poucas músicas conseguem. Mesmo numa época em que o Brasil estava prestes a receber o mundo, sediando uma Copa, as pessoas ainda assim só conseguiam pensar se era dinheiro, amor ou cumplicidade.

Esta matéria faz parte da série '20 hits em 20 anos', disponível no GloboPop, o aplicativo de vídeos curtos verticais da Globo.

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