Shein fecha loja física em Paris após polêmicas e multas milionárias
Shein fecha loja em Paris após polêmicas e multas

A Shein, gigante chinesa do ultra fast fashion, vai fechar as portas de sua primeira e única loja física permanente, localizada no sexto andar da loja de departamentos BHV Marais, em Paris. A decisão foi anunciada após a venda do ponto comercial pela operadora SGM, que classificou a parceria como um "erro estratégico". A saída da Shein está prevista para ocorrer "idealmente" até o Natal.

Protestos e investigações

A chegada da Shein ao prestigiado bairro do Marais gerou forte reação negativa. Críticas ao modelo de negócios, impactos ambientais e venda de produtos ilegais motivaram protestos. Cerca de 100 marcas deixaram o BHV Marais após a instalação da varejista. Políticos e fashionistas se mobilizaram contra a expansão da empresa, conhecida por produtos falsificados de baixa qualidade.

Em dezembro, a União Europeia abriu investigação por suspeitas de que a Shein não limitou a venda de itens proibidos, como bonecas sexuais com aparência infantil. O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, ordenou o bloqueio do site da Shein por dois dias, e a alfândega reteve encomendas para inspeção. A empresa afirmou ter removido os produtos e proibido globalmente a venda de bonecas sexuais.

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Multas milionárias

A Shein é criticada por condições de trabalho em sua cadeia de fornecedores e impactos ambientais. No início de junho, a França aplicou duas multas que somam mais de 22 milhões de euros (R$ 128,8 milhões), por problemas de rastreabilidade, rotulagem ambiental e prazos de entrega. O total de multas no país ultrapassa 210 milhões de euros (R$ 1,2 bilhão).

O diretor da SGM, Frédéric Merlin, admitiu ter cometido "erros" e afirmou que a venda da BHV representa um "plano genuíno para uma retomada eficaz". Sobre os planos de abrir mais cinco lojas na França, Merlin disse que os compromissos contratuais serão cumpridos até uma revisão de longo prazo.

Um porta-voz da Shein afirmou que a empresa respeita a decisão da BHV e lamentou que a "colaboração experimental" tenha ocorrido em um contexto de "problemas importantes preexistentes" na unidade parisiense, como obras de renovação em vários andares.

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