'Suspirou': curta-metragem de Alisson Resende explora isolamento e saúde mental
Curta 'Suspirou' aborda isolamento e saúde mental

O curta-metragem 'Suspirou', do cineasta Alisson Resende, convida o espectador a uma imersão na fragilidade humana e nas marcas deixadas pelo isolamento de 2020. A narrativa prioriza a atmosfera, utilizando o silêncio e o confinamento para traduzir a angústia de Cecília, interpretada por Rita Matiusso, uma protagonista que vive apartada do mundo.

O título da obra carrega uma camada extra de significado, grafado nas peças de divulgação como 'SUS/PIROU'. Trata-se de uma homenagem ao Sistema Único de Saúde (SUS), que, segundo o diretor, foi um símbolo de resistência durante o período pandêmico em que a trama se situa.

Cenário como extensão psicológica

Para conferir veracidade à solidão de Cecília, Alisson buscou um cenário que funcionasse como extensão do estado psicológico da personagem. A locação escolhida foi a histórica Fazenda Bom Retiro, em Oliveira, propriedade centenária onde nasceu o cientista Carlos Chagas (1879-1934).

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"Eu buscava um ambiente que transmitisse a sensação de imensidão e uma solidão profunda. A estética rústica e a grandiosidade da fazenda foram fundamentais para confundir o espectador sobre o tempo da narrativa, misturando passado e presente", explica o cineasta.

Produção colaborativa e afetiva

'Suspirou' foi lançado em junho. A produção, que se estendeu por pouco mais de seis meses, foi um exercício de colaboração técnica e afetiva. O processo envolveu cerca de 15 visitas técnicas à propriedade antes das gravações em janeiro, culminando em finalização minuciosa em maio.

O cuidado com a temática da saúde mental também exigiu rigor profissional. Alisson incluiu um psicólogo na equipe para oferecer consultoria técnica e suporte emocional ao elenco, garantindo que a construção da personagem fosse tratada com seriedade e humanidade. Esse apoio foi crucial, especialmente diante de desafios pessoais enfrentados pela protagonista durante as filmagens.

"Todo o processo exigiu sensibilidade extra para equilibrar realidade e ficção", destaca o diretor. O desfecho da obra guarda um suspense: quem se deixa levar pela trama é surpreendido nos momentos finais, quando o filme revela sua verdadeira natureza.

Missão social e acessibilidade

Com dez anos de carreira dedicada ao cinema independente, Alisson Resende, nascido em Divinópolis, reafirma com 'Suspirou' sua missão social. O filme, realizado integralmente com recursos privados e parcerias, mantém a premissa de lançamentos totalmente gratuitos, transformando o cinema em espaço de debate e acessibilidade.

Após estreias em Oliveira e Divinópolis, o curta segue para exibições em Pará de Minas e Belo Horizonte, consolidando a trajetória de um diretor que transforma cenários históricos em espelhos das inquietações humanas contemporâneas.

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