As viagens de incentivo, pagas por empresas a equipes ou funcionários como recompensa pelo desempenho profissional, estão no centro de discussões para potencializar o turismo no Brasil. Esse tipo de roteiro geralmente inclui acompanhante e é organizado para destinos considerados “dos sonhos”.
CEO da Azul questiona destinos internacionais
“O brasileiro gasta a renda fora. A maior parte das viagens de incentivo estão em Orlando, na Disney. Por que não no Nordeste do País? Para o Amazonas?”, questionou o CEO da Azul, John Rodgerson, durante o Seminário Lide Turismo, em São Paulo, nesta quarta-feira, 10. No encontro, os CEOs das companhias aéreas brasileiras discutiram o difícil contexto atual, diante da guerra no Oriente Médio.
A provocação de Rodgerson foi acompanhada por diversas outras feitas pelos demais CEOs de aéreas brasileiras reunidos no evento: Jarome Cardier, da Latam Brasil, e Celso Ferrer, da Gol. O debate ocorre em meio aos desafios da aviação, apontados pelas empresas, decorrentes do aumento do preço de combustíveis e da reforma tributária.
Potencial de crescimento do turismo no Brasil
“O turismo é responsável por 8% do PIB do Brasil. E a gente olha para todos os outros países que têm potencial menor, mas que o PIB (do setor de turismo) representa o dobro: México e Espanha, por exemplo. A gente tem potencial de aumentar pelo menos 50% desse valor”, complementa Ferrer.
Globalmente, as viagens de incentivo movimentam US$ 13,9 bilhões por ano, com expectativa de crescer 6,3% até 2032, segundo dados do Maximize Market Research (MMR) apresentados no evento. As discussões também abordaram áreas do turismo em ascensão que podem ser foco em viagens de incentivo: safári, natureza e aventura; viagens customizadas; e cruzeiros.
CEO da Latam destaca potencial de servir melhor
“O Chile tem o dobro de passageiros por habitantes. É fácil vender o Brasil para esse público (de incentivo). Tem países que avançaram com menos recursos, mas a gente sabe servir muito mais do que qualquer país da América do Sul”, afirma Jarome Cardier, CEO da Latam. “Na aviação, não dá mais para ficar discutindo se cobra a bagagem separada da passagem. Isso é pensar pequeno.”
Desafios do setor: combustível e malha aérea
Em 2025, a aviação doméstica bateu recorde no número de passageiros. Mas neste ano pode ser diferente. A Associação do Transporte Aéreo Internacional (Iata) projeta uma redução de 50% na lucratividade do setor em 2026. Por causa da interrupção do Estreito de Ormuz com a guerra no Oriente Médio, as companhias aéreas estão pagando o dobro no preço do barril do querosene da aviação (QAV) em relação ao ano passado, saindo a US$ 180 por barril, segundo Cardier.
O cenário pode ter implicações reais na cobertura aérea brasileira. “O aumento é significativo. Isso faz a gente repensar nossa malha, quantas frequências para determinadas cidades. Ainda não tiramos nenhuma rota ou cidade, mas os preços continuam subindo”, completa o CEO da Latam. A Azul já reduziu em 5% a oferta por conta do aumento do QAV. “A gente achava que a guerra fosse acabar logo, mas está estendendo. Nós temos 33 milhões de passageiros que viajam, 5% a menos não é pouco”, reforça Rodgerson.



