O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que o acordo preliminar de paz com o Irã 'acabou', após uma nova troca de ataques entre os dois países. A afirmação foi feita em uma coletiva em Ancara, na Turquia, e reacendeu os temores de uma escalada do conflito no Oriente Médio. Os mercados financeiros globais operam em queda nesta quarta-feira (8), com investidores buscando ativos seguros e elevando as preocupações com o fornecimento de petróleo.
Petróleo dispara com temor de interrupção na oferta
Os preços do petróleo avançam mais de 5% nesta manhã, refletindo o risco de interrupções na oferta mundial caso o conflito se intensifique. Por volta das 8h (horário de Brasília), o contrato futuro do petróleo Brent, referência internacional, subia 5,06%, negociado a US$ 77,91 por barril. Já o petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, avançava 4,97%, cotado a US$ 73,94 por barril. O mercado teme que novos confrontos prejudiquem a produção e o transporte de petróleo na região do Golfo Pérsico, especialmente no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo.
Dólar se fortalece e futuros de Wall Street recuam
O dólar também se fortalece diante da busca por ativos seguros. O índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana frente a uma cesta de seis divisas, permanecia próximo de 101,17 pontos, no maior nível em cerca de uma semana. Nos Estados Unidos, os contratos futuros das bolsas operam em queda antes da abertura dos mercados: Dow Jones cai 1,34%, S&P 500 recua 1,06% e Nasdaq 100 perde 1,55%. A queda reflete o receio de que o avanço do petróleo pressione a inflação global e dificulte futuras reduções de juros pelo Federal Reserve (Fed).
Bolsas europeias têm forte queda
As bolsas da Europa registram perdas generalizadas, acompanhando o aumento da tensão geopolítica. O índice pan-europeu STOXX 600 caía cerca de 1,6%, caminhando para o pior desempenho diário desde março. O movimento é puxado principalmente por empresas dos setores de consumo, turismo e tecnologia, que tendem a ser mais sensíveis ao aumento dos custos com energia e ao cenário de maior incerteza econômica. Na direção oposta, ações de petroleiras avançam, beneficiadas pela alta dos preços do petróleo.
Mercados asiáticos fecham sem direção única
Na Ásia, o desempenho das bolsas foi misto. Em Tóquio, o índice Nikkei caiu 2,11%, pressionado pela piora do sentimento global. Na Coreia do Sul, o Kospi teve forte queda de 5,35%. Na China continental, o índice de Xangai recuou 0,49%, enquanto o CSI300 perdeu 0,77%. Já em Hong Kong, o índice Hang Seng subiu 2,99%, impulsionado por ações de tecnologia. O destaque foi a Alibaba, que avançou 12,2%, ajudando o índice de tecnologia da bolsa local a subir cerca de 5%. Em outros mercados da região, o índice de Taiwan avançou 0,56%, Cingapura ganhou 0,51%, enquanto a bolsa da Austrália recuou 0,21%.
Entenda a nova escalada entre EUA e Irã
A piora do humor dos mercados ocorre após uma nova escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã. Na madrugada desta quarta-feira, os dois países voltaram a trocar ataques, apesar de estarem oficialmente sob um cessar-fogo firmado no fim de junho. Os Estados Unidos bombardearam alvos no sul do Irã após acusarem Teerã de atacar três navios comerciais no Estreito de Ormuz. Em resposta, o Irã afirmou que a ofensiva americana violou o acordo de paz e lançou ataques contra bases militares dos EUA no Bahrein e no Kuwait. Horas depois, durante uma coletiva em Ancara, na Turquia, o presidente Donald Trump afirmou que considera o acordo de paz encerrado e disse que não pretende retomar o diálogo com o governo iraniano. As declarações aumentaram os receios de uma nova escalada do conflito no Oriente Médio. Para os investidores, o principal risco é que os confrontos afetem o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo. A possibilidade de interrupções na oferta impulsionou os preços da commodity e levou investidores a reduzirem a exposição a ativos de maior risco, como ações, em busca de investimentos considerados mais seguros, como o dólar.



