O mercado de trabalho dos Estados Unidos desacelerou fortemente em junho. Foram criadas apenas 57 mil vagas de emprego no mês, número bem abaixo do esperado pelos analistas, que projetavam cerca de 190 mil novas contratações. O dado foi divulgado nesta quinta-feira pelo Departamento do Trabalho dos EUA e provocou reação imediata nos mercados financeiros.
Dólar acelera queda após payroll fraco
O dólar, que já operava em baixa, intensificou o movimento de desvalorização após a divulgação do relatório de emprego. A moeda americana caiu frente ao real e a outras divisas emergentes, refletindo a percepção de que o Federal Reserve pode ter menos espaço para continuar elevando os juros diante de um mercado de trabalho mais fraco.
O índice DXY, que mede o dólar contra uma cesta de seis moedas fortes, recuou 0,6% no momento do anúncio. Analistas avaliam que o dado reforça a tese de que a economia americana está perdendo fôlego.
Impacto nos mercados e na política monetária
O resultado do payroll de junho é o mais baixo desde o início de 2023 e contrasta com a média de 200 mil vagas dos meses anteriores. O setor de serviços, que vinha puxando as contratações, mostrou desaceleração, enquanto a indústria e a construção civil também registraram queda no ritmo de contratações.
Para o mercado, o dado aumenta a probabilidade de que o Fed interrompa o ciclo de alta de juros na próxima reunião, em julho. "Com a criação de empregos desacelerando e a inflação sob controle, o Fed pode pular o aumento de juros", afirmou um estrategista do Goldman Sachs, citado pela Reuters.
Reação da Bolsa e dos juros futuros
O Ibovespa, que operava estável antes do dado, passou a subir, impulsionado pela queda do dólar e pela expectativa de juros mais baixos nos EUA. As taxas dos Treasuries de 2 e 10 anos recuaram, com o mercado precificando menor necessidade de aperto monetário.
No Brasil, a curva de juros futuros também caiu, beneficiando ativos de renda fixa e ações de empresas domésticas. O setor de tecnologia e consumo foi o que mais se destacou na B3.
Perspectivas para o segundo semestre
O payroll abaixo do esperado levanta dúvidas sobre a força da economia americana no segundo semestre. O mercado de trabalho vinha sendo um dos pilares do crescimento, mas a desaceleração pode indicar que os efeitos dos juros altos estão finalmente chegando ao emprego.
"O dado sugere que a economia está perdendo tração, o que pode ser um sinal de que o Fed conseguiu esfriar a atividade sem causar uma recessão profunda", disse um economista do Morgan Stanley. Apesar do susto, a taxa de desemprego permaneceu em 3,6%, perto do menor nível em décadas.



