Ibovespa cai 0,1% com juros nos EUA e Selic a 14,25%
Ibovespa cai 0,1% com juros nos EUA e Selic a 14,25%

O Ibovespa fechou em leve baixa nesta quinta-feira (18), com o mercado repercutindo as decisões de juros do Federal Reserve (Fed) e do Comitê de Política Monetária (Copom). O principal índice da B3 encerrou em queda de 0,1%, aos 168.277,55 pontos, após oscilar entre máxima de 169.542,37 pontos e mínima de 167.910,63 pontos.

Impacto das decisões de juros

Segundo Leonardo Santana, especialista em investimentos e sócio da casa de análise Top Gain, a comunicação do Fed sinalizou a possibilidade de novas altas de juros nos Estados Unidos. "Esse cenário naturalmente incentiva uma migração de capital para os ativos americanos, reduzindo o apetite por mercados emergentes como o Brasil e pressionando o Ibovespa", afirma.

No Brasil, o Copom cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano. O comitê também revisou a projeção de inflação para o quarto trimestre de 2027 de 3,5% para 3,7%. O mercado considerou o comunicado "confuso" e aguarda a ata da reunião, prevista para terça-feira (23), para esclarecer os planos do Banco Central.

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O diretor de pesquisa macroeconômica para a América Latina do Goldman Sachs, Alberto Ramos, criticou o texto: "O texto não parece dar a devida ênfase à deterioração significativa do cenário inflacionário, ao aumento expressivo das projeções condicionais de inflação calculadas pelos modelos do Banco Central para o horizonte relevante da política monetária, nem à resiliência da atividade econômica e do mercado de trabalho".

Mercados internacionais

Nos Estados Unidos, os índices S&P 500, Dow Jones e Nasdaq subiram 1,08%, 0,14% e 1,91%, respectivamente. A Intel subiu 10% após declarações de Trump sobre um acordo com a Apple, impulsionando o setor de chips.

Os preços do petróleo fecharam mistos. O WTI para agosto caiu 0,21%, a US$ 75,85 o barril, enquanto o Brent para o mesmo mês subiu 0,38%, a US$ 79,85 o barril, após Trump assinar um memorando para encerrar a guerra com o Irã.

Dólar e câmbio

O dólar fechou em alta de 1,32%, cotado a R$ 5,1752. Bruno Shahini, analista de investimentos da Nomad, explica: "O principal vetor continua sendo a reprecificação das expectativas para a política monetária americana após a comunicação mais dura do Fed, que reforçou a percepção de juros elevados por mais tempo nos Estados Unidos".

Maiores altas do Ibovespa

  • Weg (WEGE3): +4,59%, a R$ 45,81. A empresa se beneficia do efeito cambial e de fatores estruturais como eletrificação e investimentos em IA. No mês, alta de 3,88%; no ano, queda de 5,39%.
  • Copel (CPLE3): +3,36%, a R$ 14,78. No mês, alta de 1,51%; no ano, valorização de 21,55%.
  • Suzano (SUZB3): +3,2%, a R$ 43,58, impulsionada pelo dólar forte. No mês, alta de 3,98%; no ano, queda de 15,28%.

Maiores quedas do Ibovespa

  • Braskem (BRKM5): -10,27%, a R$ 7,51. A ação foi pressionada por questões jurídicas relacionadas ao desastre ambiental em Alagoas e dificuldades na reestruturação extrajudicial. No mês, queda de 28,2%; no ano, desvalorização de 4,82%.
  • CSN (CSNA3): -7,99%, a R$ 5,18, após queda de 6,48% na sessão anterior. No mês, baixa de 22,8%; no ano, desvalorização de 42,06%.
  • RD Saúde (RADL3): -5,48%, a R$ 16,55. No mês, queda de 11,45%; no ano, desvalorização de 28,97%.

*Com informações da Broadcast

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