O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, decidiu manter a taxa básica de juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, o menor patamar desde setembro de 2022. A decisão, anunciada nesta quarta-feira (17), foi unânime e alinhada às expectativas do mercado financeiro. Esta é a quarta reunião consecutiva sem alteração nos juros, e também marcou a estreia de Kevin Warsh no comando da autoridade monetária.
Nova presidência do Fed
Indicado pelo presidente Donald Trump, Kevin Warsh tomou posse em 22 de maio e iniciou oficialmente seu mandato de quatro anos após uma cerimônia na Casa Branca. A troca de comando ocorre após meses de atritos entre Trump e o então presidente do Fed, Jerome Powell. Desde o início de seu segundo mandato, Trump argumenta que juros elevados encarecem o crédito e prejudicam a economia. Em entrevista recente à NBC News, porém, Trump adotou um tom diferente ao comentar o novo comando: afirmou que quer que Warsh “faça o que quiser”, mas voltou a defender juros mais baixos e criticou a possibilidade de novas altas.
Desafios econômicos
A guerra no Oriente Médio e a alta dos preços da energia continuam entre as principais preocupações do Fed. A economia americana segue aquecida, com mercado de trabalho robusto: foram criadas 172 mil vagas em maio, e a taxa de desemprego estabilizou-se em 4,3%, nível historicamente baixo. Os salários avançam cerca de 3,4% ao ano, sinalizando forte demanda por trabalhadores.
Por outro lado, a inflação voltou a ganhar força. O índice de preços ao consumidor (CPI) acumula alta de 4,2% em 12 meses, o maior patamar em três anos, impulsionado pelo aumento dos preços da energia. O núcleo do CPI está em 2,9%, enquanto o núcleo do PCE, índice preferido do Fed, permanece em torno de 3,3%, ambos acima da meta de 2%. A atividade econômica dá sinais de desaceleração: o PIB cresceu a uma taxa anualizada de 1,6% no último trimestre, abaixo das projeções iniciais de 2% e das expectativas do mercado.
Impactos no Brasil e nos mercados
Os juros elevados nos EUA mantêm os rendimentos dos títulos públicos americanos (Treasuries) em níveis atrativos, atraindo investidores internacionais e fortalecendo o dólar. Isso reduz o fluxo de capital para países como o Brasil, pressionando o real e encarecendo importações, o que pode aumentar a inflação doméstica. Com isso, o Banco Central brasileiro pode ter menos espaço para reduzir a Selic, mantendo a taxa básica em patamar elevado por mais tempo.
Esta é a 12ª decisão de juros desde que Donald Trump assumiu a presidência em 20 de janeiro de 2025. Desde então, houve três cortes, em meio a incertezas geopolíticas e à guerra tarifária promovida pelo republicano. O Fed enfrenta agora o desafio de equilibrar o controle da inflação com o suporte ao crescimento econômico, sob nova liderança e em um cenário global volátil.



