Mudança no mercado de CDBs: inflação ganha espaço e pós-fixados perdem força em maio
Mudança no mercado de CDBs: inflação ganha espaço em maio

O mercado de Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) passou por uma transformação significativa em maio. Enquanto os títulos atrelados à inflação ganharam destaque com taxas reais elevadas, os papéis pós-fixados enfrentaram rentabilidades médias abaixo do índice de referência, acendendo um alerta sobre a eficiência da alocação.

De acordo com um levantamento da Quantum Finance, encomendado pelo InfoMoney, os CDBs pós-fixados com vencimento entre 3 e 24 meses apresentaram taxas médias inferiores ao CDI, o que levanta dúvidas sobre a atratividade desses investimentos.

CDBs pós-fixados: alerta para rentabilidade

Para Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, o investidor precisa ser criterioso. “Não faz sentido, salvo situações muito específicas de liquidez, aceitar CDBs abaixo de 100% do CDI em um ambiente de juros ainda elevados e com ampla oferta de alternativas. Ao aceitar retorno inferior, o investidor incorre em perda real de eficiência de alocação sem contrapartida relevante de risco”.

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Já Robson Casagrande, sócio da GT Capital, destaca que “um CDB só vale a pena se pagar um prêmio acima do Tesouro Selic”.

Retornos de CDBs atrelados ao CDI (29/04 a 29/05/2026)

  • Prazo 3 meses: Taxa mínima 97,50%, média 99,93%, máxima 106,00% (Paraná Banco)
  • Prazo 6 meses: Taxa mínima 97,50%, média 99,41%, máxima 106,90% (Qista)
  • Prazo 12 meses: Taxa mínima 90,00%, média 99,22%, máxima 108,50% (Paraná Banco)
  • Prazo 24 meses: Taxa mínima 95,00%, média 99,28%, máxima 101,30% (Caixa Econômica Federal)
  • Prazo 36 meses: Taxa mínima 98,00%, média 100,31%, máxima 104,00% (Stone)

CDBs de inflação: destaque positivo

Os títulos atrelados ao IPCA foram os grandes destaques de maio. A taxa média para o prazo de 12 meses atingiu IPCA + 8,09%, ante 7,99% em abril, enquanto para 36 meses a taxa média ficou em 7,93%, contra 7,70% no mês anterior.

Casagrande explica que o mercado está pagando mais no curto prazo devido à incerteza inflacionária. “É uma curva real invertida. O mercado está pagando mais para travar prazo curto, sinal de prêmio de risco e de incerteza com a inflação de curto prazo por causa do petróleo”. Embora considere o juro real de 8% “historicamente alto” e uma “janela atrativa”, ele prefere prazos mais longos para proteção estrutural.

Felipe Castello Branco, sócio e private banker da Blackbird Investimentos, acredita que o momento é favorável. “O IPCA+ pode ser uma boa alternativa como diversificação, especialmente em um cenário em que as expectativas de inflação vêm sendo revisadas para cima”.

Retornos de CDBs atrelados ao IPCA (29/04 a 29/05/2026)

  • Prazo 12 meses: Taxa mínima 7,28%, média 8,09%, máxima 8,59% (Haitong Brasil)
  • Prazo 24 meses: Taxa mínima 7,00%, média 7,88%, máxima 8,38% (Haitong Brasil)
  • Prazo 36 meses: Taxa mínima 7,01%, média 7,93%, máxima 8,45% (Haitong Brasil)

CDBs prefixados: taxas em alta

Os títulos prefixados também registraram aumento nas taxas em maio. A taxa média para o prazo de 36 meses subiu de 13,73% em abril para 14,06% em maio, com taxas máximas chegando a 14,70%.

Sidney Lima avalia que “os níveis atuais tornam os prefixados novamente competitivos, mas a decisão depende da convicção sobre o ciclo de juros”. Robson Casagrande, no entanto, faz uma ressalva sobre o custo de oportunidade. “A média de 14,06% no prazo de 36 meses está abaixo do CDI atual (perto de 14,40%) e da Selic (14,50%). Prefixado só compensa se a Selic cair de forma relevante ao longo do período: é uma aposta direcional na queda dos juros”.

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Retornos de CDBs prefixados (29/04 a 29/05/2026)

  • Prazo 6 meses: Taxa mínima 13,38%, média 13,56%, máxima 13,82% (ABC Brasil)
  • Prazo 12 meses: Taxa mínima 13,19%, média 13,70%, máxima 14,34% (Banco GM)
  • Prazo 24 meses: Taxa mínima 12,93%, média 13,87%, máxima 14,32% (Haitong Brasil)
  • Prazo 36 meses: Taxa mínima 13,31%, média 14,06%, máxima 14,70% (Sinosserra Financeira)

Perspectivas para junho

Para este mês, os especialistas projetam manutenção das taxas. “As janelas de juro real de 8% e prefixado de 14% existem hoje porque o cenário está incerto; quando a incerteza ceder, elas fecham”, diz Casagrande.

Sidney Lima prevê uma “tendência de estabilidade a leve compressão nas taxas, refletindo menor pressão de captação dos bancos e expectativa de continuidade do processo de normalização monetária”. Já Felipe Castello Branco reforça que a dinâmica dependerá do cenário fiscal e político: “o mais importante é manter cautela e priorizar diversificação e proteção de capital em vez de tentar antecipar movimentos de curto prazo”.