Como montar uma carteira internacional com ETFs por objetivos
Carteira internacional com ETFs: estratégia por objetivos

A maior parte dos investidores que decide aplicar recursos no exterior enfrenta uma dúvida muito maior do que escolher uma corretora ou um ETF: afinal, qual deve ser a estratégia? Comprar ações americanas? Investir em tecnologia? Buscar renda em dólares? Sem um plano, a carteira acaba sendo apenas uma coleção de ativos.

Na visão do autor, toda carteira internacional deve responder a apenas três perguntas: como fazer meu patrimônio crescer, como preservar seu crescimento ao longo do tempo e como gerar renda periódica. A metodologia proposta é investir por objetivos, uma abordagem relativamente recente que traz mais clareza do que a tradicional otimização de carteiras.

Primeiro objetivo: fazer o dinheiro crescer

Para isso, é necessário identificar estratégias que a análise considere vencedoras nos próximos anos e buscar ETFs ligados a elas. Setores relativamente independentes do crescimento econômico são prioritários, como saúde e longevidade. Com o envelhecimento da população, a demanda por cuidados médicos e remédios aumenta. Exemplos de ETFs nesse setor incluem o VanEck Pharmaceutical (PPH), que reúne as principais indústrias farmacêuticas, e o iShares U.S. Pharmaceutical (IHE), focado no mercado norte-americano.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Outra estratégia são os bancos europeus. Com o rearmamento do continente, muito dinheiro está e vai fluir, necessariamente passando pelos bancos. Juros estruturalmente mais elevados tendem a favorecer a rentabilidade do setor. ETFs como iShares STOXX Europe 600 Banks UCITS ETF (EXV1) e Amundi STOXX Europe 600 Banks UCITS ETF (LBNK) oferecem exposição a diversos bancos europeus.

O rearmamento europeu também abre espaço para ETFs de defesa, como o WisdomTree Europe Defence UCITS ETF (WDEP), que investe nas principais indústrias europeias do setor.

Inteligência artificial e automação são outro setor promissor. A IA tende a aumentar a produtividade de praticamente todos os setores, dificilmente sendo uma tendência passageira. O Global X Robotics & Artificial Intelligence ETF (BOTZ) e o iShares Robotics and Artificial Intelligence Multisector ETF (IRBO) são opções voltadas para essa área.

Segundo objetivo: crescimento constante

O melhor exemplo é o investimento em ações norte-americanas, mesmo com a volatilidade política. A recomendação é investir em ETFs que replicam o S&P 500, como o Vanguard S&P 500 ETF (VOO) e o iShares Core S&P 500 ETF (IVV), ambos com centenas de bilhões de dólares em patrimônio.

Nos últimos vinte anos, o retorno médio do S&P 500 foi de 11,5% ao ano; nos últimos cinco anos, perto de 15% ao ano. No entanto, há riscos: em 2008, o índice perdeu 37%; em 2018, 4,4%; e em 2022, 18%. O longo prazo tende a mostrar bons ganhos, mas é preciso paciência.

Terceiro objetivo: rendimento

O caminho natural é a renda fixa, especialmente corporate bonds high yield. Apesar do nome, muitos emissores são empresas grandes e conhecidas, como Ford, Occidental Petroleum, Warner Bros Discovery e Carnival (cruzeiros marítimos). Grande parte do mercado high yield é composta por "fallen angels" — empresas que perderam temporariamente o grau de investimento.

ETFs como HYG (iShares iBoxx $ High Yield Corporate Bond ETF), JNK (SPDR Bloomberg High Yield Bond ETF) e SPHY (SPDR Portfolio High Yield Bond ETF) oferecem rendimentos médios de 5,5% a 6% ao ano, com risco moderado e grande diversificação. A volatilidade do HYG nos últimos cinco anos foi de pouco mais de 6%, contra 17% do S&P 500.

Alocação por idade

Não há fórmula mágica, mas quanto maior a idade, menor o risco desejado. Para quem está na terceira idade, a parcela de rendimento deve ser dominante (por exemplo, 90%), seguida de crescimento constante (7%) e crescimento agressivo (3%). Já para um investidor de 30 anos, uma alocação de 40% em crescimento agressivo, 30% em crescimento constante e 30% em rendimento pode ser adequada.

Investir no exterior não é escolher o ETF da moda, mas construir uma carteira em que cada investimento tenha uma função clara. Quando cada ativo tem um objetivo específico, as decisões ficam mais simples e a disciplina aumenta.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar