Canetas emagrecedoras: de motor de lucro a risco na B3, diz XP
Canetas emagrecedoras: de motor a risco na B3, diz XP

As canetas emagrecedoras, antes vistas como grande motor de crescimento e lucro para o setor farmacêutico na B3, agora são encaradas pelos investidores como um risco, de acordo com relatório da XP Investimentos divulgado na última quinta-feira (2). Na última semana, as ações das empresas do varejo farmacêutico listadas na bolsa brasileira sofreram quedas devido à falta de visibilidade sobre preços e margens de lucro dessa categoria.

Fatores da apreensão dos investidores

Segundo a XP, o temor é que a forte concorrência e a chegada de versões genéricas provoquem uma deflação agressiva nas prateleiras, encolhendo o faturamento antes que as empresas vendam volumes suficientes para compensar a perda. Contudo, assim como o Itaú BBA, a XP avalia que a reação dos investidores foi desmedida. Os analistas consideram o risco-retorno atual altamente favorável e mantêm recomendação de compra para RD Saúde (RADL3), Pague Menos (PGMN3) e Panvel (PNVL3). A RD Saúde é a preferida do segmento, por seu perfil de negócios mais seguro e defensivo.

Projeções de crescimento do mercado de GLP-1

Os modelos matemáticos da XP projetam que o mercado de medicamentos baseados no hormônio sintético GLP-1 deve registrar expansão acelerada de 54% em 2027, com faturamento atingindo R$ 26,8 bilhões no curto prazo, sustentando a tese de que o setor pode quadruplicar de tamanho no longo prazo.

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Dinâmica de preços versus volume

O relatório explica que a expectativa é que as canetas emagrecedoras deem menos lucro individualmente para as farmácias. O remédio de referência usado foi o Mounjaro, que enfrenta base de comparação anual mais difícil, enquanto o lançamento de novas alternativas de semaglutida iniciou forte correção de preços. Os investidores temem que o orçamento apertado da população limite o número de pacientes, mas a XP rebate com o volume de vendas: preços mais baixos e parcelamento em até seis vezes devem trazer consumidores das classes B e C1, destravando demanda reprimida. "Independentemente do nível de margem em 2027 ou no longo prazo, acreditamos que o aumento de volumes deve mais do que compensar as quedas de preços em uma análise de lucro bruto nominal", afirmam os analistas.

Preocupação com as margens

Outro fator de preocupação é o comportamento da margem bruta das alternativas de semaglutida. A XP explica que o risco de revisões negativas de lucros, caso o varejo precise sacrificar rentabilidade para queimar estoques ou competir com descontos, é mitigado pela dinâmica de competição. Conforme novos laboratórios lançam produtos e médicos prescrevem intercambialidade de marcas, o farmacêutico ganha papel fundamental, devolvendo poder de barganha às redes varejistas. "O principal risco negativo está nas margens brutas de SA (alternativas de semaglutida), que devem evoluir positivamente com novos entrantes, enquanto há espaço para medicamentos de marca melhorarem suas margens em meio ao aumento da competição", ressalta o documento.

O risco de distribuição gratuita pelo SUS foi classificado como limitado, devido a restrições fiscais, e focado nas classes D e E, que já estão fora do mercado privado. Assim, as drogarias não perderiam sua base real de clientes, mantendo o mercado endereçável estimado em 11,5 milhões de adultos nas classes A, B e C1.

Teste de estresse

A XP submeteu as companhias a um teste de estresse simulando retração real de 10% nas vendas de emagrecedores em 2027 e margem bruta de apenas 16% para o segmento. Mesmo nesse cenário, os múltiplos permanecem atraentes: RD Saúde negociaria a 16,5 vezes o P/L projetado, Pague Menos a 7,4 vezes e Panvel a 8,6 vezes. "Vemos esse cenário como altamente improvável, o que reforça nossa visão de que a relação risco-retorno é assimétrica", conclui o relatório.

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