Alta dos alimentos perde força no IPC-S de junho, mas inflação preocupa
Alta dos alimentos perde força no IPC-S de junho

O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) desacelerou em junho, registrando alta de 0,36% no fechamento do mês. O grupo Alimentação, que havia subido 1,57% na primeira semana do mês, perdeu intensidade e encerrou junho com elevação de 0,47%. A informação foi divulgada pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre FGV).

Inflação acumulada próxima ao teto da meta

A inflação acumulada em 12 meses atingiu 4,32%, valor que se aproxima do teto da meta do Conselho Monetário Nacional (CMN), fixado em 4,5%. O economista André Braz, do Ibre FGV, destacou que a desaceleração das altas sazonais foi o principal fator para o alívio no índice de junho. No entanto, ele alertou para os possíveis impactos do fenômeno El Niño sobre a produção agrícola e, consequentemente, sobre a inflação dos alimentos nos próximos meses.

Segundo Braz, “a desaceleração observada em junho reflete a normalização de preços após choques sazonais, mas o El Niño pode trazer novas pressões, especialmente sobre culturas como arroz, feijão e hortaliças”. O economista ressaltou que a atenção deve se manter elevada, pois a inflação de alimentos ainda exige monitoramento constante.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Composição do IPC-S

Dos oito grupos que compõem o IPC-S, cinco apresentaram desaceleração em relação à semana anterior. Além de Alimentação, os grupos Habitação (0,18% para 0,12%), Vestuário (0,25% para 0,20%), Saúde e Cuidados Pessoais (0,32% para 0,28%) e Educação, Leitura e Recreação (0,15% para 0,10%) registraram variações menores. Por outro lado, os grupos Transportes (0,08% para 0,11%) e Comunicação (0,02% para 0,05%) aceleraram.

O índice geral passou de 0,40% na segunda semana para 0,36% na quarta semana de junho, confirmando a trajetória de desaceleração.

Perspectivas e riscos climáticos

André Braz explicou que o El Niño, fenômeno caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico, pode afetar o regime de chuvas no Brasil, prejudicando safras e elevando os preços dos alimentos. “Se o El Niño se confirmar com intensidade, podemos ver uma reversão da tendência de desaceleração nos preços de alimentos já no segundo semestre”, afirmou. Ele também mencionou que a inflação acumulada em 12 meses, embora ainda dentro da meta, está em nível que exige cautela por parte do Banco Central.

O IPC-S é um dos indicadores de inflação mais acompanhados no país, por refletir o consumo de famílias com renda de até 15 salários mínimos. A coleta de preços abrange as capitais das regiões Sudeste, Sul, Nordeste e Centro-Oeste.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar