Uma significativa redução no consumo de energia elétrica durante a partida entre Brasil e Japão, na tarde desta segunda-feira (29), aliada à elevada geração solar distribuída no horário do jogo (iniciado às 14h), levou o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) a restringir cerca de 20 gigawatts (GW) de geração de energia renovável. Esse montante equivale à capacidade instalada combinada das usinas de Belo Monte e Tucuruí.
Objetivo da restrição
Segundo o ONS, em nota oficial, “o objetivo da redução é prevenir riscos à estabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN) e evitar a perda de controlabilidade do sistema, preservando a segurança e a continuidade do fornecimento de energia à sociedade”.
O ONS adotou, desde o início do mundial, uma operação especial para as partidas da seleção brasileira, com medidas de planejamento, previsão de carga, programação da operação e tempo real para garantir que as rampas de carga durante os jogos sejam acompanhadas adequadamente pelas variações de geração e uso dos recursos de controle de tensão.
Comportamento da carga durante o jogo
A mobilização de grande parte da população para assistir à equipe brasileira altera o comportamento da carga do SIN. O consumo de eletricidade começa a diminuir cerca de uma hora antes da partida, acentua-se durante o jogo, tem um repique no intervalo e volta a cair no segundo tempo. Após o apito final, quando as pessoas retomam suas atividades, a carga tem forte elevação, voltando ao padrão habitual.
Na partida desta segunda-feira, a carga de energia no SIN atingiu o valor mínimo de 66.515 megawatts (MW) às 14h47, montante 17,4% menor que o verificado na data de referência estabelecida pelo ONS (9 de junho), no mesmo horário. Perto do fim do segundo tempo, com os dois times buscando o gol da vitória, o consumo de eletricidade caiu ainda mais, chegando a uma diferença máxima de 21,0% em relação à referência.
Recuperação pós-jogo
Após o apito final, o movimento foi inverso: houve uma elevação da carga de 12.784 MW em 60 minutos, equivalente à soma das cargas médias dos estados do Paraná e Minas Gerais, exigindo manobra contrária, de acionamento de usinas, pelo Operador.
Havia preocupação entre agentes do setor elétrico com a operação especial desta segunda-feira, uma vez que foi realizada em horário de significativa geração solar, quando diariamente o ONS já determina restrição de geração renovável para evitar excesso de oferta no sistema. No entanto, conforme reportou a Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, o Operador considerava que haveria requisitos de potência suficientes para operação segura.



