Para conter a alta dos preços da carne nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump recorreu ao governo argentino para aumentar as exportações do produto. A resposta foi imediata: neste ano, a Argentina passou a exportar volumes recordes de cortes de carne para o mercado americano. O resultado, porém, tem sido negativo para os consumidores argentinos, que agora pagam mais caro pela proteína e reduzem o consumo ao menor patamar histórico.
Exportações argentinas de carne para os EUA disparam
Dados oficiais mostram que as vendas de carne bovina argentina aos Estados Unidos cresceram mais de 50% nos primeiros meses de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior. Os pecuaristas argentinos passaram a priorizar o mercado americano, onde os preços são mais atraentes, em detrimento do abastecimento interno. Como consequência, a oferta no mercado local diminuiu e os preços subiram.
Impacto no mercado interno argentino
O consumo de carne na Argentina caiu para o menor nível já registrado. Segundo a Câmara de Indústria e Comércio de Carnes da Argentina (CICCRA), o consumo per capita anual deve ficar abaixo de 45 kg em 2026, ante uma média histórica de 55 kg. "O argentino está comendo menos carne porque não consegue pagar o preço atual", afirmou Miguel Schiariti, presidente da CICCRA, em entrevista ao jornal La Nación.
A inflação geral na Argentina já ultrapassa 100% ao ano, e o preço da carne subiu ainda mais, pressionando o orçamento das famílias. O governo argentino, por sua vez, defende a estratégia de exportação como forma de gerar divisas e fortalecer a economia, mas especialistas apontam que o benefício cambial não compensa o impacto social da carestia.
O papel de Trump na negociação
Fontes diplomáticas confirmaram que Trump telefonou pessoalmente para o presidente argentino Javier Milei para solicitar o aumento das exportações de carne. A Casa Rosada atendeu prontamente, alinhada à política de alinhamento automático com os Estados Unidos. Em contrapartida, os EUA reduziram tarifas de importação para a carne argentina, facilitando o fluxo comercial.
Carne argentina ganha espaço nos EUA
Enquanto isso, a carne argentina conquista consumidores americanos. Restaurantes como o Don Julio, em Nova York, passaram a oferecer cortes importados da Argentina com destaque no cardápio. "A qualidade da carne argentina é excepcional e agora temos acesso a volumes maiores", disse o chef do restaurante. A demanda crescente nos EUA, porém, realimenta o ciclo de alta de preços na Argentina.
Perspectivas e críticas
Analistas preveem que, se a tendência se mantiver, o consumo interno argentino pode cair ainda mais. Organizações de defesa do consumidor criticam o governo por priorizar exportações em detrimento do abastecimento local. O governo Milei, no entanto, aposta que o aumento da produção no médio prazo poderá equilibrar oferta e demanda.



