A Starian, desenvolvedora de ecossistemas verticais SaaS, completou seu primeiro ano de operação em junho com expectativa de superar R$ 750 milhões em receita líquida e projeção de crescimento orgânico de 30% na comparação com o encerramento de 2025. Parte desse crescimento deve vir de aquisições: a empresa busca comprar R$ 100 milhões em receita recorrente no próximo semestre.
Estratégia de aquisições e momento de mercado
“Estamos fazendo compra de companhias satélites, pequenas, e trabalhando para trazer ativos parrudos. É um momento oportuno de mercado: é difícil crescer em SaaS verticalizado no Brasil e há muitas empresas com 20 ou 30 anos, super nichadas, que podem ter dificuldades de se adaptar à IA”, afirma Alex Anton, Chief Strategy Officer da Starian. Anton é responsável por olhar para o mercado e entender o que acontece no mundo de softwares, além de buscar novas frentes de negócios e fazer as integrações das adquiridas, como ocorreu com a Contato Seguro, comprada em dezembro do ano passado.
Desafios e modelo de precificação
Com 1.500 profissionais, a empresa vive um momento emblemático. “Estamos em uma corrida. Até o ano passado, nosso foco estava no crescimento inorgânico e orgânico. Agora, nosso ‘core’ está em risco com a proliferação da IA. Mas estamos em um movimento de crescimento e ‘servitização’: transformando o nosso software em serviço”, afirma Anton. Um dos desafios para continuar crescendo está na precificação: hoje, softwares são vendidos por assento. Em companhias mais arrojadas, já existe um modelo híbrido, onde se cobra por entrega de valor. “Esses modelos colocam um nível de pressão. É um mundo super dinâmico”, afirma.
Inovação contínua e P&D centralizado
A empresa tem um núcleo centralizado de pesquisa e desenvolvimento (P&D) e aposta na evolução tecnológica como um processo contínuo de incorporação de inovação aos workflows críticos dos clientes, em vez de rupturas isoladas.
Verticais de atuação e planos de expansão
A Starian opera hoje em quatro verticais: indústria da construção, inteligência legal, eficiência operacional e governança e compliance. O plano é abrir novas frentes já no próximo ano, com a estratégia de aquisição que deve se tornar ainda mais agressiva. “Gostamos muito das verticais que já conversam com nossos sistemas, como ERP para empresas de material de construção civil ou gestão imobiliária, por exemplo. Mas também olhamos para setores novos como o agro, que tem espaço para adoção de tecnologia, além do varejo alimentar que é anti-cíclico”, afirma Anton.
Origem e capital da empresa
Embora tenha pouco tempo de vida, a Starian já nasceu gigante: de uma cisão da Softplan, empresa de softwares de Santa Catarina. Na separação, a ‘empresa-mãe’ ficou com os clientes do setor público enquanto a nova companhia tem 100% de clientes do setor privado. “A Starian já nasceu com escala, liderança em suas verticais e um portfólio robusto de soluções críticas para seus clientes”, afirma Ionan Fernandes, CEO da Starian. Em dois meses de operação, a empresa levantou R$ 640 milhões da General Atlantic para fortalecer a estrutura de capital e acelerar sua expansão.



