Motorista que recebeu R$ 131 milhões por engano espera indenização há 1 ano
Motorista que recebeu R$ 131 milhões por engano espera indenização (11.06.2026)

O motorista Antônio Pereira do Nascimento, que se tornou milionário por um dia após receber R$ 131 milhões em sua conta bancária devido a um erro do Bradesco, continua aguardando uma indenização. O caso, que ocorreu em junho de 2023, gerou um processo judicial que se arrasta há mais de um ano. Antônio entrou com um pedido de recompensa e indenização por danos morais, mas o julgamento ainda não foi concluído.

O erro bancário

Em junho de 2023, Antônio consultou sua conta e se surpreendeu ao ver R$ 131.870.227 na corrente. Imediatamente, ele entrou em contato com o banco para informar o erro. O Bradesco, por sua vez, chegou a colocá-lo na categoria VIP, aumentando a tarifa de R$ 36 para R$ 70 sem aviso prévio. O motorista, pai de quatro filhos e avô de 14 netos, afirmou que nunca pensou em ficar com o dinheiro: “Nunca vi um dinheiro desse na minha vida e não consigo nunca na minha vida, só se ganhar na Mega-Sena, e jogar eu não jogo. Então é difícil”.

Repercussão e programa de TV

A história do tocantinense ganhou destaque nacional. Em agosto de 2023, ele participou do programa Domingão, apresentado por Luciano Huck, no quadro "Acredite Em Quem Quiser", onde foi elogiado por sua honestidade ao devolver o valor.

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Ação judicial

Em julho de 2024, Antônio entrou com uma ação na 6ª Vara Cível de Palmas contra o Bradesco. No processo, ele alega que o gerente da agência fez 'pressão psicológica' para que devolvesse o dinheiro, insinuando que "pessoas" estariam na porta de sua casa para aguardar a devolução. A defesa também cita o assédio da imprensa e os 'abalos emocionais e constrangimentos' sofridos. Antônio pede R$ 150 mil de indenização por danos morais e R$ 13.187.022,00 como 'direito de recompensa', com base no art. 1.234 do Código Civil.

Audiência de conciliação

Em fevereiro de 2025, foi realizada uma audiência de conciliação, mas não houve acordo. A defesa de Antônio afirmou que o processo avançava dentro dos trâmites legais, com o banco já tendo apresentado contestação e a réplica protocolada. Testemunhas foram indicadas para esclarecer os detalhes da transferência e a pressão exercida pelo banco.

Decisão judicial de 2026

Em março de 2026, a Justiça decidiu não ouvir as testemunhas solicitadas pela defesa do banco e do motorista. O juiz entendeu que a discussão central é verificar a ocorrência da transferência indevida, sua restituição e a eventual incidência do art. 1.234 do Código Civil, além de caracterização de dano moral. Após essa decisão, os advogados de Antônio entraram com embargos de declaração pedindo esclarecimentos.

O Bradesco informou que não comenta casos em análise na Justiça. Antônio segue aguardando o julgamento do processo, que começou em 2024 e ainda não tem data para conclusão.

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