As montadoras alemãs Volkswagen, BMW e Mercedes-Benz estão mergulhadas em uma crise sem precedentes, que as obriga a implementar uma nova rodada de cortes de custos e demissões. O setor enfrenta uma combinação de fatores adversos: tarifas impostas pelos Estados Unidos, queda acentuada nas vendas na China e custos elevados de energia e mão de obra na Alemanha.
Volkswagen planeja até 100 mil demissões
A Volkswagen, maior montadora da Europa, é a mais afetada. A empresa planeja demitir até 100 mil funcionários nos próximos anos, além de fechar fábricas na Alemanha pela primeira vez em sua história. A medida visa reduzir custos em meio à queda na demanda por veículos elétricos e à concorrência crescente de montadoras chinesas, como a BYD.
BMW e Mercedes-Benz também cortam
A BMW anunciou um programa de redução de custos de 12 bilhões de euros até 2025, incluindo cortes de empregos e simplificação de processos. Já a Mercedes-Benz planeja reduzir sua força de trabalho em 10 mil postos até 2025, focando em eficiência e digitalização. Ambas as empresas enfrentam margens de lucro cada vez mais apertadas.
Fatores externos agravam crise
As tarifas impostas pelos EUA sobre carros europeus, que podem chegar a 25%, afetam diretamente as exportações alemãs. Além disso, as vendas na China, principal mercado do mundo, caíram 15% no primeiro semestre de 2025, pressionando ainda mais as receitas. Os custos de energia na Alemanha, que triplicaram desde 2021, e os salários elevados tornam a produção local menos competitiva.
Concorrência chinesa e transição elétrica
Montadoras chinesas, como BYD e NIO, ganham mercado com veículos elétricos mais baratos e tecnologia avançada. A Volkswagen, por exemplo, viu sua participação no mercado chinês de elétricos cair de 25% para 15% em dois anos. A indústria alemã tenta se adaptar, mas enfrenta burocracia e lentidão na tomada de decisões.
Impacto na economia alemã
O setor automotivo representa cerca de 5% do PIB alemão e emprega diretamente 800 mil pessoas. Os cortes podem elevar o desemprego e afetar fornecedores locais. O governo alemão estuda medidas de apoio, como subsídios para veículos elétricos e incentivos fiscais, mas as montadoras cobram ações mais rápidas.



