Uma sondagem da Confederação Nacional da Indústria (CNI), obtida com exclusividade pelo GLOBO, revela que a maioria das indústrias brasileiras planeja repassar aos consumidores os custos decorrentes da possível redução da jornada de trabalho e da proibição da escala 6x1. A pesquisa, que ouviu empresas de diversos portes, mostra um cardápio variado de estratégias para lidar com as mudanças, caso a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) seja aprovada.
Estratégias variadas para lidar com a nova jornada
Além do repasse de preços, a automação de processos surge como uma estratégia-chave, especialmente entre grandes empresas. A sondagem indica que 54% das empresas pretendem manter seus planos de investimentos inalterados, enquanto 46% afirmam que revisariam seus projetos caso a PEC seja aprovada. O presidente da CNI, Ricardo Alban, destacou que o setor está atento aos impactos e busca alternativas para manter a competitividade.
Impactos nos investimentos e no emprego
A possível redução da jornada pode afetar não apenas os preços, mas também o nível de emprego e a automação. Entre as empresas que revisariam investimentos, a maioria pretende priorizar a modernização de maquinário e a digitalização de processos. “A indústria precisa se adaptar para continuar produtiva, e a automação é um caminho natural”, afirmou Paulo Skaf, presidente da Fiesp, após reunião com o senador Davi Alcolumbre sobre a PEC.
Discussão no Senado e pressão por votação
A discussão avança no Senado, com pressão para votação rápida antes das eleições. A PEC, que propõe o fim da escala 6x1 e a redução da jornada máxima de 44 para 36 horas semanais, tem gerado debates acalorados entre trabalhadores e empregadores. A CNI alerta que, sem um período de transição adequado, os impactos podem ser negativos para a economia como um todo.



