C&A sobe 4,7% após Itaú BBA destacar que ação está 'irracionalmente barata'
C&A sobe 4,7% após Itaú BBA destacar ação barata

As ações da C&A Brasil (CEAB3) operam entre as maiores altas do Ibovespa nesta quarta-feira (24), impulsionadas por um relatório do Itaú BBA que classifica a varejista como 'irracionalmente barata'. Por volta das 11h (horário de Brasília), os papéis subiam 4,69%, cotados a R$ 10,27.

Itaú BBA reitera C&A como principal escolha na América Latina

O banco reiterou a ação como sua principal escolha no setor de consumo discricionário da América Latina, destacando o desconto em relação à Lojas Renner (LREN3), a forte geração de caixa e a possibilidade de revisões positivas nas estimativas de resultados após o segundo trimestre. Na avaliação do BBA, o mercado brasileiro tem sido cada vez mais influenciado por fatores técnicos e movimentos de curto prazo, enquanto discussões sobre fundamentos e valuation acabam ficando em segundo plano.

Em meio a um ambiente macroeconômico ainda incerto e marcado por preocupações com a trajetória dos juros, as ações do varejo têm sido particularmente penalizadas. Apesar desse cenário, o banco considera que a precificação da C&A não reflete seus fundamentos.

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Valuation atrativo e geração de caixa robusta

A instituição reconhece que a possibilidade de novas vendas de ações pelo acionista controlador, que ainda detém cerca de 30% da companhia, continua sendo um fator de pressão. Ainda assim, destaca que a empresa negocia a apenas 5,6 vezes o lucro estimado para 2026, apresenta rendimento de fluxo de caixa livre para o acionista (FCFE) de 14%, já executou aproximadamente metade do programa de recompra de ações e mantém um momento operacional considerado sólido.

Além disso, o BBA acredita que os resultados do segundo trimestre podem levar a revisões para cima das estimativas do mercado, reforçando a tese de investimento. Para o banco, a C&A está entre as poucas empresas do setor capazes de gerar retorno mesmo em um ambiente mais desafiador para consumo e atividade econômica.

Desconto de 35% em relação à Lojas Renner

Atualmente, as ações da varejista negociam com desconto de cerca de 35% em relação à Lojas Renner (LREN3), uma diferença que, segundo o Itaú BBA, não encontra justificativa nos fundamentos das companhias. Com isso, o banco reiterou recomendação de compra e preço-alvo de R$ 20.

Segundo trimestre pode levar a revisões para cima

Após um quarto trimestre de 2025 mais fraco, impactado por problemas na coleção de verão e na execução operacional, a companhia apresentou recuperação no primeiro trimestre de 2026 e sinaliza um desempenho ainda melhor no segundo trimestre. Mesmo diante de uma base de comparação difícil, o BBA acredita que as vendas em mesmas lojas (SSS) do segmento de vestuário devem permanecer ao menos estáveis em relação ao crescimento de cerca de 4,8% registrado no primeiro trimestre. Isso pode levar o mercado a revisar para cima as projeções de receita para o segundo semestre, já que o consenso ainda trabalha com premissas consideradas conservadoras.

Ganho de produtividade e expansão de margem

O BBA destaca que a diferença de produtividade em relação à Lojas Renner voltou a diminuir após um revés temporário no quarto trimestre de 2025. Embora a Renner ainda venda cerca de 39% mais por loja do que a C&A nos últimos 12 meses, essa diferença voltou a encolher no primeiro trimestre e a expectativa é que a tendência continue nos próximos trimestres. Além disso, a margem bruta do segmento de vestuário deve continuar se expandindo, beneficiada por um cenário cambial mais favorável.

Forte geração de caixa e impacto limitado de mudanças trabalhistas

Outro ponto destacado pelo banco é a forte geração de caixa da companhia. Melhorias operacionais e a saída do segmento de eletrônicos contribuíram para reduzir a necessidade de capital de giro e elevar a conversão de EBITDA em caixa para patamares superiores a 100% desde o primeiro trimestre de 2025. O BBA estima que a C&A gere cerca de R$ 420 milhões em caixa livre para os acionistas em 2026, equivalente a um rendimento de 14%.

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O banco também avaliou os possíveis efeitos da adoção de uma escala de trabalho 5×2, em substituição ao modelo 6×1, e da redução da jornada semanal de 44 para 40 horas. Segundo o BBA, o impacto financeiro deve ser limitado. A administração da companhia indicou que os efeitos seriam mais concentrados nas lojas menores, que representam cerca de 25% da rede. Em unidades maiores, a expectativa é realocar funcionários entre diferentes funções para absorver parte do impacto. Além disso, a empresa espera compensações parciais por meio da redução da rotatividade, menor absenteísmo e ajustes em benefícios. O banco estima um impacto anual inferior a R$ 30 milhões, equivalente a aproximadamente 2% do EBITDA projetado para 2026.