Os contratos futuros do açúcar na bolsa ICE subiram nesta sexta-feira, impulsionados pela onda de calor recorde na Europa e pelos temores de que o fenômeno climático El Niño possa prejudicar a produção, deixando de lado a queda nos preços do petróleo.
Açúcar bruto e branco registram altas
O açúcar bruto fechou em alta de 0,43 centavo, ou 3,2%, a 13,98 centavos por libra-peso, após atingir uma máxima de duas semanas e meia, de 14,09 centavos. O mercado registrou alta de 2,8% na semana.
“Estamos encontrando suporte no mercado devido à situação climática na Índia, Europa, Tailândia, Flórida e em outros lugares”, disse Michael McDougall, analista sênior e consultor de açúcar. Ele observou que a atual onda de calor na Europa foi reconhecida como a pior já registrada, as chuvas de monção na Índia caíram 42%, e a Tailândia está quente e seca.
No entanto, o que está limitando as perdas no mercado de açúcar são os preços mais baixos da energia, o que aumenta a perspectiva de que mais cana seja utilizada para a produção de açúcar, em vez de etanol como biocombustível.
O açúcar branco subiu 4,3%, para US$ 464,00 por tonelada métrica, após atingir uma máxima de quase três meses, de US$ 466,00. Ele registrou alta de 5,2% na semana, já que os problemas na Europa afetam mais fortemente o mercado de açúcar branco.
Café tem quedas, mas El Niño preocupa
O café robusta fechou em queda de US$ 35, ou 1%, a US$ 3.627 por tonelada, após atingir uma máxima de três meses de US$ 3.692 na quinta-feira. “O El Niño representa um importante risco de alta para os preços do robusta, devido ao seu potencial de trazer condições mais quentes e secas para o Sudeste Asiático e a Índia”, afirmou o Rabobank em uma nota.
O café arábica caiu 1,2% na sessão, para US$ 2,732 por libra-peso, após atingir uma máxima de quase seis semanas de US$ 2,8480 por libra-peso na quarta-feira. As recentes chuvas no Brasil, associadas ao El Niño, causaram alguns problemas de qualidade e retardaram o andamento da colheita, embora, de modo geral, ainda se espere que o maior produtor mundial de arábica tenha uma safra excepcional nesta temporada.
A analista de commodities agrícolas Judith Ganes afirmou que o tempo no cinturão cafeeiro brasileiro deve melhorar pelos próximos dez dias, pelo menos, o que ajudará na colheita.
Cacau tem ganhos semanais expressivos
O cacau de Londres fechou em queda de £ 112, ou 2,8%, a £ 3.820 por tonelada, após ter atingido uma máxima de cinco meses de £ 4.014 na quinta-feira. O mercado de Londres registrou alta de 16% na semana. O cacau de Nova York caiu 2,9% na sessão, para US$ 5.095 por tonelada, mas registrou alta de 20% na semana.
O Rabobank afirmou que o cacau está sendo impulsionado pela “transição para um evento ativo do El Niño, pelo abrandamento das tensões geopolíticas no Oriente Médio e por um início lento no desenvolvimento da safra principal de 2026/27 da África Ocidental”. O banco, no entanto, ainda prevê um excedente na safra de 2026/27 e considera os prêmios de risco relacionados ao El Niño um pouco supervalorizados.



