O dólar abriu a sessão desta segunda-feira em queda de 0,13%, cotado a R$ 5,1501 às 9h, conforme investidores seguem atentos à guerra no Oriente Médio. As negociações do Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, começam às 10h.
Tensões no Oriente Médio no radar
A escalada das tensões no Oriente Médio fica no radar dos investidores nesta segunda-feira, após Israel e Irã trocarem ataques diretos pela primeira vez desde o cessar-fogo em abril. A sequência começou com uma ofensiva israelense a Beirute no final de semana. Teerã respondeu com mísseis e gerou novas retaliações.
Em meio às tensões, os preços do petróleo no mercado internacional operam em alta. Perto das 8h50, o barril do Brent, referência internacional, subia 1,79%, cotado a US$ 94,76. Já o West Texas Intermediate (WTI), dos Estados Unidos, subia 1,82%, cotado a US$ 92,19 o barril.
Agenda de indicadores
Na agenda de indicadores, os destaques da semana ficam com os novos dados de inflação do Brasil e dos Estados Unidos. A decisão de juros do Banco Central Europeu (BCE) também fica no radar. Nesta segunda-feira, o Boletim Focus, do BC, registrou uma nova alta nas estimativas de inflação pelo mercado financeiro em 2026, na 13ª semana seguida de aumento. Os analistas também passaram a projetar um corte menor de juros neste ano.
Acumulados do dólar e Ibovespa
- Dólar: Acumulado da semana: +2,26%; Acumulado do mês: +2,26%; Acumulado do ano: -6,05%.
- Ibovespa: Acumulado da semana: -2,74%; Acumulado do mês: -2,74%; Acumulado do ano: +4,90%.
Escalada das tensões no Oriente Médio
A guerra no Oriente Médio mergulhou em uma nova fase, após Irã e Israel trocarem ataques mútuos pela primeira vez desde o cessar-fogo de abril. A ofensiva começou no último domingo, após Irã ter lançado uma série de mísseis em direção a Israel, em retaliação a um ataque israelense na capital do Líbano. Com isso, Israel realizou novos bombardeios a alvos militares no Irã — explosões foram ouvidas em Teerã, Tabriz e Isfahan, segundo a rede de TV Al Jazeera.
Esta também foi a segunda vez em menos de 24 horas que Israel desafia Donald Trump e realiza ataques a países da região. A Força Aérea Israelense atacou alvos militares pertencentes ao regime terrorista iraniano no oeste e centro do Irã, disseram as forças de Israel em suas redes sociais. Trump tentou estabelecer um cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah, que atua no Líbano, durante a semana. Israel violou o acordo, no entanto, bombardeando Beirute. Mais de três meses depois que EUA e Israel lançaram ataques contra o Irã, o conflito está em um impasse.
Nesta semana, o conselheiro militar do líder supremo do Irã também alertou para a possibilidade de mais ataques com mísseis e drones caso os Estados Unidos renovem seus ataques contra o Irã. Cada tiro disparado e cada ataque serão respondidos com uma enxurrada de mísseis e drones, publicou Mohsen Rezaei no X, acrescentando que o agressor será punido rapidamente. A ameaça veio na sequência de ataques dos EUA a um petroleiro iraniano e à ilha iraniana de Qeshm, que desencadearam ataques retaliatórios contra o Kuwait e o Bahrein. O ataque causou estragos no aeroporto do Kuwait, deixando 1 morto e mais de 60 feridos.
O presidente Trump, por sua vez, se mostrou otimista em relação às negociações — mesmo em meio às violações do cessar-fogo. Segundo o presidente americano, o Irã teria concordado em não ter armas nucleares. Trump ainda destacou que o líder supremo iraniano, Motjaba Khamenei, está envolvido nas negociações e disse querer conhecê-lo em algum momento. Além disso, os ataques entre Líbano e Israel também ficaram no centro do debate geopolítico. Nesta semana, o Irã condicionou qualquer acordo com os EUA a um cessar-fogo na região. O presidente Trump chegou a afirmar, na última quarta-feira, que os dois países haviam acordado com uma trégua. Poucas horas depois do anúncio, no entanto, ataques israelenses mataram pelo menos quatro pessoas em território libanês.
Mercados globais
Os novos dados de emprego dos EUA e as tensões no Oriente Médio também se refletiam nos mercados globais. Nos Estados Unidos, os três principais índices de Wall Street fecharam em forte queda nesta sexta-feira. O Dow Jones caiu 1,35%, enquanto o S&P 500 recuou 2,43% e o Nasdaq Composite teve perdas de 4,18%. Já na Europa, a maioria das bolsas fechou em queda. O índice pan-europeu STOXX 600 recuou 0,3% na sessão, para 622,66 pontos, e acumula queda de 0,5% na semana. Entre os principais índices da região, o alemão DAX caiu 0,75%, enquanto o francês CAC-40 recuou 0,32% e o britânico FTSE 100 ganhou 0,07%.
Na Ásia, as bolsas da China fecharam a semana em queda, conforme investidores realizavam lucros em ações de inteligência artificial. O índice de Shanghai Composite recuou 0,7%, enquanto o CSI 300 perdeu 1,8%. Já em Hong Kong, o Hang Seng caiu 1,5%. O Nikkei, do Japão, recuou 1,6% e o Kospi, da Coreia do Sul, com forte presença de ações do setor de tecnologia, despencou 7%.



