O Bitcoin registrou o pior desempenho entre todos os investimentos no primeiro semestre de 2025, com uma queda acumulada de aproximadamente 45%. O tombo supera perdas de ativos tradicionais como ações e títulos públicos, e coloca em xeque a narrativa de que a criptomoeda seria uma reserva de valor.
Três razões para o colapso do Bitcoin
De acordo com analistas do mercado financeiro, três fatores principais explicam a forte desvalorização. O primeiro é o aperto monetário global, com bancos centrais elevando juros para conter a inflação, o que reduz o apetite por ativos de risco. O segundo fator é o colapso de stablecoins, como a UST, que abalou a confiança no ecossistema cripto. Por fim, regulamentações mais rígidas em países como Estados Unidos e China aumentaram a incerteza jurídica.
"O Bitcoin ainda é visto como um ativo especulativo e altamente volátil, e a atual conjuntura macroeconômica é desfavorável para seu desempenho", afirma João Pedro Silva, economista-chefe da Investimentos Brasil.
Impacto no mercado de criptomoedas
A queda do Bitcoin arrastou todo o mercado de criptomoedas, que perdeu mais de US$ 1 trilhão em valor de mercado desde o pico de 2024. Altcoins como Ethereum e Solana também registraram perdas expressivas, superiores a 50% no mesmo período.
Investidores institucionais reduziram exposição a fundos de criptomoedas, enquanto o volume de negociação em exchanges caiu 60% no segundo trimestre, segundo dados da CoinMarketCap.
O que esperar para o segundo semestre
Analistas divergem sobre as perspectivas. Alguns acreditam que o Bitcoin pode se recuperar caso haja um afrouxamento da política monetária nos EUA. Outros, no entanto, alertam que novas quedas são possíveis, especialmente se a regulamentação for endurecida. "O cenário ainda é de incerteza, e o Bitcoin pode testar suportes mais baixos antes de encontrar um piso", diz Maria Oliveira, estrategista da Cripto Asset Management.



