PF revela que Comando Vermelho transformou garimpo ilegal em terra indígena em base do crime
Comando Vermelho domina garimpo ilegal em terra indígena, diz PF

Uma operação da Polícia Federal na Terra Indígena Sararé, em Mato Grosso, revelou que o garimpo ilegal controlado pelo Comando Vermelho funcionava como uma verdadeira base do crime organizado. Além da exploração clandestina de ouro, os agentes encontraram um arsenal escondido em bunkers na mata e no interior de túneis escavados pelos garimpeiros.

Arsenal em túneis e bunkers

As investigações mostram que os criminosos utilizavam os túneis, com até 30 metros de profundidade, não apenas para retirar ouro, mas também para esconder armas, munições e equipamentos. Durante a operação, os policiais localizaram armamentos ocultos tanto dentro das minas quanto em esconderijos espalhados pela floresta.

Vídeos mostram fuzis e intimidação

Vídeos obtidos pela investigação também mostram integrantes da facção exibindo armamento de guerra. Em uma das gravações, aparecem uma pistola e quatro fuzis sobre uma mesa, sendo um deles equipado com silenciador. Em outro registro, homens armados escoltam um trator que abre caminho dentro da terra indígena antes de efetuarem diversos disparos, em uma demonstração de força e intimidação.

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Ouro como moeda do crime

De acordo com a Polícia Federal, o Comando Vermelho começou a atuar na região em 2023. Inicialmente, os criminosos faziam a segurança dos garimpos ilegais, mas depois passaram a controlar diretamente a atividade e a usar o ouro como moeda de troca para adquirir drogas e armamentos em países vizinhos, aproveitando a proximidade da fronteira.

Estrutura de garimpo e resultados da operação

A Terra Indígena Sararé ocupa cerca de 67 mil hectares e, segundo as autoridades, chegou a concentrar mais de mil pontos de garimpo ilegal. No Garimpo Cururu, um dos principais da região, havia uma estrutura comparada a um pequeno vilarejo, com bares, comércio e farmácia para atender os trabalhadores. O esquema foi revelado pelo Fantástico, que acompanhou uma megaoperação coordenada pela Casa Civil e por forças federais. Desde março, a ofensiva já apreendeu 153 quilos de ouro e 42 mil litros de óleo diesel, destruiu quase quatro toneladas de explosivos, mais de 800 motores, 31 máquinas de escavação, 200 acampamentos e 33 túneis, além de prender 72 pessoas. O prejuízo estimado ao garimpo ilegal supera R$ 110 milhões.

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