Zoossadismo: tortura de animais vira negócio em redes e expõe lacuna legal
Zoossadismo: tortura animal vira negócio e expõe lacuna na lei

Os registros de zoossadismo — prática que envolve a tortura de animais para a produção e venda de vídeos com conteúdo sexual — têm se espalhado pelas redes sociais no Brasil, gerando lucro para os criminosos e expondo uma grave lacuna na legislação brasileira. Casos recentes em São Paulo e no Rio Grande do Norte evidenciam como essa prática se aproveita de plataformas como Discord e Telegram para comercializar o material, enquanto a lei atual não criminaliza especificamente a comercialização desses conteúdos, resultando em impunidade.

Como funciona o esquema criminoso

De acordo com investigações, os criminosos produzem vídeos em que animais são submetidos a tortura e atos sexuais, e depois vendem o material em grupos fechados nas plataformas digitais. O lucro obtido é o principal motor da atividade, que se beneficia do anonimato e da dificuldade de rastreamento. Em São Paulo, um caso recente levou a polícia a identificar um suspeito que mantinha um acervo de centenas de vídeos. Já no Rio Grande do Norte, outro caso revelou a participação de menores de idade na produção do conteúdo.

Lacuna na lei brasileira

A legislação brasileira atual, por meio da Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/1998), pune a prática de maus-tratos contra animais com pena de detenção de três meses a um ano, além de multa. No entanto, a comercialização dos vídeos de zoossadismo não é tipificada como crime específico, o que dificulta a responsabilização dos produtores e distribuidores. “A lei não acompanhou a evolução digital. Hoje, o crime não é apenas o ato de torturar o animal, mas todo um mercado que se sustenta com a venda dessas imagens”, afirma o delegado responsável por um dos inquéritos.

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Propostas de endurecimento penal

Em resposta a essa lacuna, tramitam no Congresso Nacional projetos de lei que buscam endurecer as penas e responsabilizar tanto os produtores quanto as plataformas que hospedam o conteúdo. Um dos projetos prevê pena de reclusão de dois a seis anos para quem produz, comercializa ou divulga material de zoossadismo. Outra proposta inclui a obrigação de as plataformas digitais monitorarem e removerem ativamente esse tipo de conteúdo, sob pena de multa.

Impunidade como obstáculo

A impunidade é apontada como o principal obstáculo para frear esses crimes. Segundo dados da Polícia Civil, menos de 10% dos casos denunciados resultam em condenação. “A falta de uma lei específica e a dificuldade de investigação em ambientes digitais fazem com que os criminosos se sintam seguros para continuar”, explica a promotora de Justiça especializada em crimes ambientais. Enquanto isso, as redes sociais seguem sendo palco para a proliferação desse conteúdo, que muitas vezes é denunciado por organizações de proteção animal, mas tem sua remoção demorada ou negada pelas plataformas.

O papel das plataformas

Discord e Telegram, plataformas frequentemente usadas para a venda dos vídeos, alegam que cumprem as leis locais e removem conteúdo que viole seus termos de serviço. No entanto, a ausência de uma legislação clara no Brasil permite que o material continue circulando. Especialistas defendem que as plataformas devem ser responsabilizadas de forma mais direta, com a criação de mecanismos de denúncia mais eficientes e penalidades proporcionais ao dano causado.

Próximos passos

A expectativa é que os projetos de lei em tramitação avancem no segundo semestre de 2025, impulsionados pela pressão da opinião pública e de organizações de defesa animal. Enquanto isso, as investigações continuam, e a polícia recomenda que a população denuncie qualquer suspeita de zoossadismo por meio dos canais oficiais. “Cada denúncia é importante para mapear esses criminosos e construir um caso sólido contra eles”, conclui o delegado.

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