Em janeiro, um passageiro que dormia foi golpeado na cabeça com uma chave de fenda no metrô de Nova York. Um mês antes, um policial lutou com cinco desabrigados que o atacaram na plataforma de um trem. E, este mês, um homem foi baleado mortalmente em uma estação, o primeiro assassinato registrado em seis meses no metrô.
Recuperação histórica e novos desafios
O metrô mudou muito desde os anos 80 e 90, quando a violência era descontrolada. O sistema se tornou muito seguro, com apenas um assassinato no ano passado, em comparação a 26 em 1990. Mas, ultimamente, os passageiros começaram a sentir-se menos seguros, convicção frequentemente reforçada pela quantidade de queixas feitas pelas redes sociais.
O metrô se recuperou depois da violência e das desordens registradas nos anos 80. Na imagem, homens limpam pichações em 1982.
Dados mostram ligeiro aumento
Os dados mostram que a criminalidade está aumentando: os delitos subiram 3,8% no ano passado, um ligeiro aumento em relação a 2014. No entanto, no ano passado, houve apenas cerca de 2,5 mil crimes mais graves – incluindo assassinatos, estupros e roubos – em toda a rede, ou cerca de sete por dia, em comparação com aproximadamente 17,5 mil crimes em 1990.
“O sistema do metrô continua incrivelmente seguro, com cerca de um crime para cada milhão de passageiros por dia”, informou Phil Walzak, um porta-voz da polícia.
Mudança no comportamento dos passageiros
Mas a preocupação com a segurança fez com que os passageiros mudassem o seu comportamento. Ana Smith, 62, do Brooklyn, não deixa que o seu neto de 10 anos viaje sozinho de metrô. “Eu preciso estar ao lado dele”, ela disse. “Preciso protegê-lo. É muito perigoso.”
A polícia reitera que o metrô é seguro e que os poucos incidentes graves captados pela mídia social distorcem a percepção de que não é. O diretor da polícia de trânsito, Edward Delatorre, disse que o aumento da criminalidade transmitida pelas redes no ano passado foi marcado principalmente por roubos em Manhattan, e acrescentou que decidiu aumentar o número de policiais em todo o metrô com a implantação de um novo modelo de policiamento adotado pelo prefeito Bill de Blasio.
Número de passageiros cresce, crimes permanecem baixos
O número de passageiros que viajam de metrô explodiu nos últimos 25 anos do século passado, o que torna mais notável o fato de que a criminalidade tenha permanecido baixa. Em 1990, foram feitas cerca de um bilhão de viagens anuais, em comparação com 1,7 bilhão em 2017.
No ano passado, ocorreram no metrô cerca de 2,5 mil crimes graves, como estupro, assassinatos e roubos.
Alerta de ex-diretor de polícia
Mas o ex-diretor do departamento de polícia da cidade, William J. Bratton, sugeriu recentemente no Twitter que a desordem no metrô pode assinalar uma volta às condições que levaram ao grave aumento dos crimes. No dia de Natal, ele postou um vídeo de um policial lutando com homens e disse que isto deveria servir para lembrar de que o crescimento da violência na cidade começara no metrô. “A qualidade de vida declinou e os sinais de advertência do que poderá voltar a ocorrer estão por toda parte”, acrescentou.
Incidentes fatais e gangues internacionais
O único assassinato registrado no metrô no ano passado ocorreu em julho no Brooklyn, quando um homem empurrou uma mulher nos trilhos, em um homicídio seguido de suicídio. Em outro incidente fatal ocorrido em janeiro, um homem de 65 anos morreu depois que um adolescente o derrubou nos trilhos e ele teve uma parada cardíaca. O adolescente foi acusado de homicídio.
A polícia afirma que o recente aumento dos crimes se deve em parte às gangues internacionais de ladrões de carteiras. Cece Colon, secretária aposentada de um escritório de advocacia, disse que evita carregar objetos caros no metrô. “Na minha bolsa não há nada de valor”, ela disse. “Eu me sinto mais livre.”
População de rua e saúde mental
Os nova-iorquinos encontram normalmente pessoas agitadas no metrô que gritam e ameaçam outros passageiros. A prefeitura luta para fazer frente à crescente população de sem teto, muitos dos quais têm problemas mentais. Alguns acabam aparecendo no metrô.
O diretor Delatorre não acredita que atualmente haja mais surtos de pessoas com problemas mentais no metrô do que no passado. “Acredito que a coisa agora é mais observada”, afirmou. “O Wi-Fi é mais potente, e sempre que algo acontece é transmitido imediatamente pelos alto-falantes.”



