TCE-RJ investiga aporte de R$ 90 mi da Cedae no Banco Digimais
TCE-RJ apura R$ 90 mi da Cedae no Banco Digimais

O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) instaurou um processo para apurar o aporte de R$ 90 milhões da Cedae no Banco Digimais, instituição alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) nesta terça-feira (23). A investigação ocorre após o conselheiro José Gomes Graciosa solicitar, em novembro de 2025, a abertura de uma inspeção especial para analisar a aplicação financeira. O processo ainda tramita na presidência do Tribunal, em fase de recepção de documentos.

Histórico do investimento

O investimento foi realizado durante a gestão do ex-governador Cláudio Castro (PL), quando o RioPrevidência também aplicou recursos no Banco Master. O aporte na Cedae foi conduzido por Antônio Carlos dos Santos, então diretor financeiro da estatal e aliado de Castro. Ele confirmou a aplicação de R$ 90 milhões em um título chamado DPGE, com prazo determinado para resgate.

Antônio Carlos afirmou que a operação fazia parte do plano de negócios da empresa para gerar resultados financeiros e que não havia risco de perda, pois a modalidade é coberta pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Segundo ele, R$ 50 milhões já retornaram aos cofres da companhia durante sua gestão, e os R$ 40 milhões restantes estariam integralmente cobertos pelo FGC.

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Riscos e alertas ignorados

Apesar do conhecimento do mercado sobre o risco de insolvência do Banco Digimais, semelhante ao do Banco Master, Antônio Carlos afirmou que não recebeu nenhum alerta de órgãos de controle sobre a aplicação. A PF investiga se houve manipulação de resultados contábeis para ocultar a real situação econômico-financeira do banco.

A Cedae, embora tenha privatizado os serviços de água e esgoto, ainda é responsável pela captação e tratamento da água, sendo vinculada ao governo estadual. A empresa informou que a atual administração alterou a Política de Aplicações Financeiras, aprovada em 19 de maio pelo Conselho de Administração. Ainda há R$ 17 milhões investidos no Banco Digimais, com vencimento em 24 de julho, que serão realocados em bancos do segmento S1, classificação do Banco Central que inclui instituições de menor risco.

Impacto e desdobramentos

O caso gerou repercussão política e econômica no Rio de Janeiro. O TCE-RJ busca esclarecer se houve irregularidades na aplicação dos recursos públicos. A operação da PF, que também mira o Banco Digimais, apura possíveis fraudes contábeis e operações fraudulentas. Até o momento, não há decisão final sobre o processo no Tribunal.

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