A Polícia Civil do Piauí concluiu o inquérito que investigou José Cleuton da Silva, de 48 anos, preso em Teresina por suspeita de gravar e vender vídeos de relações sexuais sem o consentimento das mulheres. Segundo a investigação, ele escondia um celular dentro de uma pasta adaptada para registrar as imagens. O relatório final foi entregue à Justiça na terça-feira (30).
Indiciação por exploração sexual e divulgação de imagens íntimas
Ao g1, o delegado Luciano Alcântara, do Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), informou que José Cleuton foi indiciado pelos crimes previstos nos artigos 218-B e 218-C do Código Penal, que tratam sobre favorecimento exploração sexual de adolescentes e por divulgação de imagens íntimas sem consentimento. Ele também foi indiciado com base no artigo 241-A do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que trata da divulgação, distribuição ou compartilhamento de conteúdo pornográfico envolvendo crianças ou adolescentes.
Vítimas eram menores de idade na época das gravações
José Cleuton foi preso em 29 de maio de 2026. Segundo a investigação, ele usava uma pasta adaptada, com um furo e um suporte para celular, para gravar as relações sexuais de forma escondida. Os encontros ocorreram há mais de 10 anos. Parte das vítimas era menor de idade na época das gravações, segundo a Polícia Civil. Seis mulheres foram ouvidas pela polícia. "Das seis vítimas que nós colhemos os depoimentos, na época dos fatos, elas eram menores de 18 anos. Acabou respondendo por divulgação de cenas de sexo sem autorização envolvendo adolescentes. Das seis, quatro eram menores e duas maiores de idade. Responde também pelo crime de exploração sexual de adolescentes, tendo em vista que há um favorecimento financeiro dele após relação sexual dele com pelo menos duas das vítimas", explicou o delegado.
Esquema de venda por robôs automatizados
A investigação também identificou um esquema de venda dos vídeos por meio de robôs automatizados em um aplicativo de mensagens. A polícia identificou a empresa usada para criar os robôs que organizavam a venda dos vídeos. O acesso ao conteúdo custava entre R$ 75 e R$ 100. Segundo o delegado Luciano Alcântara, o suspeito informava nos comandos dos robôs que os vídeos haviam sido gravados sem o consentimento das mulheres. "No caso dele, ele utilizou uma empresa totalmente automatizada, sem relação com ele, para criar um bot e nesse bot oferecia os vídeos dizendo o seguinte: 'se você pagar o valor de R$ 75, você tem acesso aos vídeos'. Ele deixa bem claro no texto que os vídeos foram gravados de forma secreta", completou o delegado. Ao longo da investigação, a DRCC constatou que o suspeito criou cerca de cinco robôs para comercializar os vídeos. "Quando a plataforma derrubava um dos bots, ele já adicionava outro para continuar vendendo os vídeos. Foi isso que nos fez solicitar à Justiça a representação pela prisão preventiva dele", concluiu o delegado.
Pastas adaptadas para filmar
O delegado Humberto Mácola, coordenador do DRCC, explicou na época que o suspeito usava duas pastas, com um celular escondido, para gravar os vídeos. Os objetos foram apreendidos. "Durante a busca na casa dessa pessoa, a gente encontrou duas pastas que foram preparadas, tinham capas de celular que coincidem com o celular de propriedade do investigado. As pastas têm buracos para filmar e divulgar os vídeos", mostrou o delegado em vídeo. "Ele colava as capas, fazia um furo perfeito [do outro lado] e podia filmar as vítimas", completou o delegado.



