Uma jovem de 21 anos, Mia Sophie da Silva Bispar, sofreu fratura no rosto, passou por cirurgia de urgência e desenvolveu paralisia facial após ser atropelada por um motorista de aplicativo ao final de uma corrida em Florianópolis. O incidente ocorreu em 30 de maio, no bairro Canajurê. O Procon municipal aplicou multa administrativa de R$ 384 mil à empresa 99, plataforma na qual o condutor atuava como motorista parceiro.
Detalhes do ocorrido
Segundo a vítima, o desentendimento começou quando seu celular descarregou e ela ofereceu R$ 100 em espécie para pagar o condutor, sendo que a corrida custava R$ 21,90. O motorista a atropelou na frente de sua casa. Mia foi encaminhada ao hospital com fratura no rosto, cortes na sobrancelha e braços, e lesões nas mãos. Ela passou por cirurgia no Hospital Governador Celso Ramos em 17 de junho.
Impactos físicos e psicológicos
Em entrevista à NSC TV, Mia afirmou estar "totalmente traumatizada". Ela precisará de fisioterapia para recuperar os movimentos faciais. "No momento, eu só queria a minha vida normal de volta, o que eu sei que isso nunca vai acontecer. Esses pontos que estão no rosto, ponto interno, as cicatrizes que estão aqui na minha mão, tudo isso cura. Machucado cura, mas o meu psicológico jamais vai curar e vai voltar a ser o que era antes", declarou. Ela disse ter medo de sair na rua ou pedir carro por aplicativo novamente. "Tanto eu quanto a minha família. Eu tenho medo de pegar um carro de aplicativo novamente, eu tenho medo de estar dentro de casa. Qualquer barulho de telefone, de celular, eu fico com medo. São traumas que vão ficar para o resto da minha vida".
Proposta de acordo e multa
A vítima acionou advogados para responsabilização. Segundo Mia, a 99 só fez contato quase um mês após o episódio, impulsionada pela repercussão. A advogada da empresa apresentou uma proposta de acordo que ela considerou "totalmente inviável". "Para mim, o que importa agora não é qualquer tipo de valor simbólico. Eu preciso, no momento, de um apoio psicológico que, desde o início do acidente até agora, não houve", afirmou. O Procon Municipal de Florianópolis justificou a multa de R$ 384 mil — valor máximo permitido — por falha grave na prestação do serviço e insuficiência dos mecanismos de segurança. "A multa foi aplicada no fator máximo porque [a empresa] colocou em risco a vida da passageira. As respostas da empresa no quesito de segurança não são satisfatórias nem para esse caso, nem para os casos seguintes", disse o diretor do órgão, Tiago Silva Mussi. Ele informou que o Procon local tem mais de 240 processos ativos envolvendo plataformas de transporte, com queixas de furtos, assédio sexual e violência física. "Este é o primeiro caso que envolve risco à vida, e isso é algo muito grave", completou.
Investigação e posicionamento da 99
A Polícia Civil ouviu todos os envolvidos. A investigação aguarda a perícia técnica de dois vídeos que registraram o fato. As imagens serão fundamentais para esclarecer divergências entre as versões da passageira e do motorista. Em nota, a 99 informou que baniu o motorista permanentemente e reiterou que realiza checagem de documentos e antecedentes criminais, além de oferecer ferramentas de segurança e seguro para todas as viagens. Procurada sobre os novos desdobramentos, a empresa disse que não comenta processos judiciais em andamento.



