Polícia prende dois suspeitos de matar narcotraficante Jorge Rafaat no Paraguai
Polícia prende dois suspeitos de matar Jorge Rafaat

A polícia prendeu dois suspeitos de envolvimento na morte do narcotraficante Jorge Rafaat Toumani, ocorrida há exatos dez anos no Paraguai. O crime, que aconteceu em 15 de junho de 2016, foi um atentado com armamento de guerra na fronteira entre Brasil e Paraguai, redesenhando o cenário do narcotráfico na região.

O ataque que chocou a fronteira

Na noite daquele dia, Rafaat seguia em uma caminhonete blindada pela avenida Dr. Francia, em Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia vizinha de Ponta Porã. Criminosos armados com fuzis e uma metralhadora calibre .50, equipamento de uso militar capaz de derrubar pequenas aeronaves, atacaram o veículo. Mesmo protegido pelo blindado e por seguranças, Rafaat morreu no local. Outras pessoas ficaram feridas, e o ataque gerou pânico entre moradores e comerciantes.

Imagens de câmeras de segurança registraram a execução. Os vídeos mostram uma caminhonete adaptada com a metralhadora se aproximando do veículo de Rafaat em um cruzamento. Quando o semáforo abriu, os criminosos dispararam contra a caminhonete blindada. Segundo testemunhas, houve intensa troca de tiros por cerca de 30 minutos. Os disparos atingiram estabelecimentos comerciais, danificaram a rede de telefonia e espalharam medo pela cidade. O atentado ocorreu a poucas quadras da sede da Polícia Nacional do Paraguai e a menos de um quilômetro da fronteira com o Brasil.

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Arsenal de guerra e prisões

Após o ataque, a polícia encontrou a metralhadora abandonada dentro da caminhonete usada pelos criminosos. Também foram apreendidos cinco fuzis, munições, carregadores, radiocomunicadores e outros equipamentos. Na época, oito pessoas foram presas. Entre elas estava um brasileiro apontado como responsável por operar a metralhadora. Outros sete suspeitos, identificados como seguranças de Rafaat, ficaram feridos durante o confronto.

Disputa pelo controle da fronteira

Conhecido como "rei da fronteira", Jorge Rafaat havia sido condenado pela Justiça brasileira por tráfico internacional de drogas em 2014, mas vivia no Paraguai como empresário. Autoridades brasileiras e paraguaias apontaram que a execução estava ligada à disputa pelo controle das rotas de tráfico de drogas e armas na região. O assassinato teve repercussão internacional e é considerado um divisor na segurança pública da fronteira. Investigadores avaliam que o atentado abriu caminho para uma nova configuração do crime organizado na região, intensificando a disputa entre grupos criminosos.

Medo e repercussão

O impacto foi imediato. Moradores relataram momentos de terror durante a execução. Uma testemunha descreveu a cena como um "filme de terror". Em Ponta Porã, algumas escolas chegaram a suspender atividades devido ao clima de insegurança. No dia seguinte ao atentado, o corpo de Rafaat foi velado e enterrado em Ponta Porã sob forte esquema de segurança. Horas depois, uma loja de pneus ligada ao empresário, localizada na linha internacional, foi incendiada.

Dez anos depois

Uma década após a execução, a morte de Jorge Rafaat continua sendo lembrada como um dos maiores ataques já registrados no Paraguai e um dos casos de maior repercussão envolvendo o crime organizado na fronteira entre Mato Grosso do Sul e o Paraguai. Para especialistas e autoridades, o atentado marcou uma mudança na dinâmica do crime organizado na região e expôs a capacidade ofensiva das facções que atuam na fronteira seca entre os dois países. A prisão dos dois suspeitos agora reforça as investigações sobre o caso.

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