PF prende pastor, ex-deputado e contraventor na 5ª fase da Operação Unha e Carne
PF mira políticos e contraventor na 5ª fase da Operação Unha e Carne

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quinta-feira (2) a quinta fase da Operação Unha e Carne, que investiga um suposto esquema de vazamento de informações sigilosas em favor da facção Comando Vermelho. A ação tem como base listas apreendidas com o contraventor Adilsinho, apontado como o “capo” da nova direção do jogo do bicho no Rio de Janeiro, que indicariam registros de pagamento de propina a políticos, doações eleitorais e lavagem de dinheiro do crime organizado.

Alvos da operação

Expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), os mandados de prisão preventiva têm como alvos o pastor evangélico Márcio Poncio, pai da deputada estadual Sarah Poncio (Solidariedade-RJ), o contraventor Adilsinho, o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro Rodrigo Bacellar, e o ex-deputado federal Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral. Adilsinho e Bacellar já estão presos.

A reportagem busca contato com a defesa dos alvos da investigação. O espaço está aberto.

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Detalhes da operação

Ao todo, 14 pessoas são alvo da operação nesta quinta-feira. Além das prisões, a PF executa 14 mandados de busca e apreensão em endereços vinculados aos investigados, nas cidades do Rio de Janeiro e São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Moraes também determinou o sequestro de bens e valores até o montante de R$ 22 milhões.

Rodrigo Bacellar, preso no Complexo Penitenciário de Bangu desde março, será levado à Superintendência da Polícia Federal no Rio para o cumprimento das formalidades relacionadas ao mandado de prisão preventiva. Em seguida, será transferido para o sistema penitenciário federal.

Objetivo da investigação

Segundo os investigadores, a quinta fase da Operação Unha e Carne tem como objetivo aprofundar a investigação sobre indícios de lavagem de dinheiro praticada pelo “capo” Adilsinho e uma possível ramificação do esquema envolvendo integrantes do Executivo e Legislativo fluminense.

O termo “capo”, utilizado pela própria Polícia Federal para se referir a Adilsinho, deriva de caporegime e designa um integrante de alto escalão da máfia italiana. Na estrutura dessas organizações criminosas, o capo é responsável por comandar um grupo de soldados e administrar as atividades criminosas em uma determinada área de atuação.

Fases anteriores

As quatro fases anteriores da Operação Unha e Carne foram deflagradas entre dezembro de 2025 e maio deste ano. Na primeira etapa, a PF colocou na mira Rodrigo Bacellar, suspeito de repassar informações sigilosas da Operação Zargun ao ex-deputado TH Joias, apontado como articulador político e comprador de armas para o Comando Vermelho.

Na segunda fase, a investigação passou a apurar a origem dos supostos vazamentos. O desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), foi preso preventivamente sob suspeita de repassar informações sigilosas a Bacellar.

A terceira etapa foi deflagrada após a cassação do mandato de Bacellar pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O ex-presidente da Alerj voltou a ser preso por determinação do ministro Alexandre de Moraes, após denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

Na quarta fase, em maio, a Polícia Federal desarticulou um esquema de fraudes em contratos da Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro. Na ocasião, foram cumpridos sete mandados de prisão e 23 de busca e apreensão.

Contexto legal

A Operação Unha e Carne integra as investigações determinadas pelo STF no âmbito da ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas. No julgamento, a Corte determinou que a Polícia Federal apure a atuação das facções em atividade no Rio de Janeiro e suas conexões com agentes públicos.

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