Mulher reage a tentativa de estupro e imobiliza agressor com mata-leão em Barueri
Mulher reage a tentativa de estupro e aplica mata-leão em Barueri

Uma nutricionista de 35 anos viveu momentos de terror ao sofrer uma tentativa de estupro em seu apartamento em Barueri, na Grande São Paulo. O caso ocorreu na manhã de 23 de maio, quando Wellington de Oliveira Santos invadiu o condomínio e entrou no imóvel enquanto a vítima dormia. Após uma luta corporal de mais de 20 minutos, a mulher conseguiu imobilizar o agressor com um mata-leão e escapar.

Invasão ao condomínio

As câmeras de segurança registraram o momento em que Wellington aproveitou a saída de um morador, às 8h22, para entrar no prédio. O acesso era controlado por reconhecimento facial, mas o suspeito passou pela catraca sem ser notado pelos funcionários e seguiu para os elevadores. Ele chegou ao 18º andar, onde a nutricionista morava sozinha naquela manhã. O namorado dela havia saído por volta das 7h e deixou a porta apenas encostada, pois não tinha as chaves e pretendia retornar.

Reação da vítima

A vítima, identificada como Jessica Soares, contou que estava dormindo quando ouviu alguém entrar. Ao perceber que não era o namorado, fingiu estar dormindo. O agressor colocou a mão na boca dela, mandou calar a boca e insinuou estar armado. Ela levantou e começou a gritar. Wellington a jogou na cama, subiu sobre ela e tentou tirar sua roupa, repetindo frases como “cala a boca, é fita dada”. Ele afirmou que a acompanhava há algum tempo, mas Jessica disse nunca tê-lo visto antes.

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Graças à prática de muay thai, boxe, jiu-jítsu e defesa pessoal, Jessica conseguiu reagir. Ela fez uma elevação de quadril com força, jogou o agressor para o outro lado da cama e tentou pegar o celular. A luta se arrastou por mais de 20 minutos, com socos, puxões de cabelo, tentativas de sufocamento e uma queda da escada. Em determinado momento, ela imobilizou Wellington com as pernas e aplicou um mata-leão, mas ele continuou atacando.

Exausta, Jessica fingiu desistir para ganhar fôlego. Quando o agressor levantou, ela chutou com força, jogando-o contra a parede, e desferiu um soco que o deixou tonto. Ela então subiu as escadas e correu para fora do apartamento.

Socorro e prisão

Jessica saiu pelo corredor batendo nas portas dos vizinhos. Uma mulher abriu a porta e correu para ajudá-la. Outros moradores também saíram e conseguiram conter Wellington até a chegada da Guarda Civil Municipal. A vítima foi levada a um pronto-socorro com diversas lesões. O caso foi registrado como tentativa de estupro, lesão corporal e violação de domicílio na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Barueri. A polícia apreendeu o celular do suspeito para investigar se ele monitorava a rotina da vítima.

Audiência de custódia e antecedentes

No dia seguinte, Wellington passou por audiência de custódia, onde a prisão em flagrante foi convertida em preventiva. Em depoimento, ele afirmou que estava bêbado, entrou no prédio por causa da chuva e escolheu o andar aleatoriamente. Negou ter tentado estuprar ou agredir a vítima. No entanto, documentos obtidos mostram que ele possuía antecedentes criminais. Em 2017, foi condenado a 11 anos e 4 meses de prisão por estupro, roubo com arma, restrição de liberdade, violação de domicílio e constrangimento ilegal. Após progredir para o regime semiaberto em 2020, passou a cumprir livramento condicional em julho de 2021. Em 2025, também foi alvo de medidas protetivas por violência doméstica.

Responsabilização do condomínio

A advogada Silvana Campos, que representa a nutricionista, afirma que o condomínio falhou na segurança. Ela destaca que Wellington entrou sem ser abordado, passou pela catraca sem intervenção e ninguém da administração tomou providências após os gritos de socorro. Foram os moradores que ligaram para a polícia. A defesa estuda medidas judiciais para buscar reparação pelos danos e cobrar mudanças nos protocolos de segurança. O g1 não localizou a administração do condomínio até a última atualização.

Impacto na vítima

Jessica deixou o apartamento após o crime, faz acompanhamento psicológico e não consegue dormir sem medicação. “Tem hora que é medo, tem hora que é ódio, tem hora que é força. Mas eu sei que briguei para sobreviver”, desabafou. O caso segue sob investigação.

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