Motociclista salvo por ciclista após dois dias em vala em Ituverava
Motociclista salvo por ciclista após dois dias em vala

O operador de máquinas José Carlos Cruz Júnior, de 42 anos, passou dois dias desaparecido após um acidente de moto em uma estrada vicinal entre Ituverava e Guará, no interior de São Paulo. Ele foi encontrado em 19 de junho de 2025 pelo ciclista Agustinho Albino de Queiroz, de Uberaba (MG), que fazia o reconhecimento do percurso de uma prova de mountain bike.

O resgate inesperado

Agustinho contou que seu GPS travou durante o trajeto, obrigando-o a sair da rota. Foi nesse desvio que ele ouviu um pedido de socorro vindo do meio da mata. "Comecei a ouvir umas vozes. No começo achei que pudesse ser algum bicho ou até gente trabalhando na rodovia. Depois percebi que parecia uma voz humana", relatou o ciclista.

Movido pela desconfiança, ele resolveu verificar. Agustinho entrou no mato, afastou o capim alto e encontrou primeiro uma moto caída. Poucos metros adiante, viu José Carlos, ferido e praticamente sem conseguir falar. "Ele só dizia que estava com muita dor e pedia socorro. Na hora eu percebi que não podia mexer nele porque podia piorar os ferimentos."

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Agustinho tentou parar motoristas que passavam pela rodovia, mas ninguém parou nos primeiros minutos. Até que um casal decidiu ajudá-lo e reconheceu a situação. "Foi aí que disseram: 'É o homem que está desaparecido há dias'. Eu nem sabia, porque sou de Uberaba." Enquanto aguardavam o resgate, mais pessoas chegaram ao local, incluindo uma das filhas de José Carlos, que procurava o pai desde o dia 17 de junho. "Ela desceu do carro chorando e disse: 'É meu pai'. Eu só consegui tranquilizá-la dizendo que ele estava vivo", lembrou o ciclista.

O acidente e os dois dias de sofrimento

José Carlos saiu de Ituverava para visitar um amigo em Guará. Ele perdeu o controle da moto ao tentar corrigir a direção. A roda dianteira saiu da pista e ele foi lançado para fora da rodovia, caindo em uma vala escondida pelo mato alto. "Na hora que tentei estabilizar a moto, a roda da frente já estava saindo para fora. Quando freei, fui jogado de cabeça no chão. Dei duas piruetas. Na primeira já quebrei a coluna." Além da lesão na coluna, sofreu diversas fraturas nas costelas e ficou sem conseguir se levantar ou pedir ajuda. "Eu escutava os carros passando o tempo todo. Devem ter passado mais de 300 carros, mas ninguém me via porque o mato era muito alto."

Durante os dois dias em que permaneceu no local, José Carlos não conseguiu comer nem beber água. Com o passar das horas, começou a perder a consciência. "Passei muito frio. Fiquei sem comer, sem tomar água. Nos últimos momentos já estava delirando. Deus fez um milagre na minha vida."

Intervenção divina

O ciclista conta que sequer pretendia estar naquele ponto da estrada. Na noite anterior, decidiu de última hora viajar até Guará para conhecer o percurso da competição. Durante o pedal, o GPS apresentou sucessivas falhas até travar completamente. Foi justamente enquanto tentava reencontrar a rota que acabou parando próximo ao local do acidente. "Na quinta-feira à noite me deu um estalo. Pensei que precisava conhecer a pista antes da prova. Depois o GPS travou justamente naquele lugar. Acho que foi Deus que me mandou até lá."

Depois de receber atendimento, José Carlos conseguiu telefonar para Agustinho do hospital. Os dois conversaram emocionados. "Ele me agradeceu muito, mas eu disse que não precisava agradecer a mim. Quem ele tem que agradecer é a Deus. Eu só servi de instrumento para que ele fosse encontrado."

José Carlos foi transferido para um hospital particular em Ribeirão Preto, onde se recupera dos ferimentos. A família agradeceu o apoio e destacou a importância do resgate rápido.

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