Moradores de Sena Madureira, no interior do Acre, realizaram um protesto na manhã desta quinta-feira (11) bloqueando a BR-364 em resposta ao desabamento da Ponte Frei Paolino Baldassari. A manifestação, que contou com a colocação de pneus na pista, interrompeu o tráfego nos dois sentidos da rodovia, gerando longas filas de veículos e caminhões no trecho. O protesto ocorre no acesso ao bairro Niterói, no Segundo Distrito do município, onde a comunidade cobra melhorias e uma solução definitiva para a travessia sobre o Rio Iaco.
Protesto e reivindicações
Segundo Pelegrino Sobrinho, morador do Segundo Distrito, a mobilização reúne pais de família e moradores que se sentem prejudicados desde o colapso da estrutura. "Nossa manifestação é no acesso ao bairro Niterói. Pais de família e pessoas da comunidade reivindicam melhorias para o nosso bairro e para a população. Após a queda da ponte, ficou comprometido o tráfego de pessoas. Estamos pedindo balsas porque a catraia não está sendo de qualidade para a população", afirmou. A comunidade espera uma resposta das autoridades municipais e estaduais, além de reclamar das condições da estrada que liga o Primeiro ao Segundo Distrito.
A Polícia Militar acompanha a manifestação para controlar a movimentação no local. O g1 entrou em contato com o governo do Acre para saber se há previsão de novas medidas para atender as reivindicações dos moradores e aguarda retorno.
Desabamento da ponte
A Ponte Frei Paolino Baldassari desabou na noite de sexta-feira (5) com quatro pessoas sobre ela. A estrutura, inaugurada em 19 de dezembro de 2023, tinha 232 metros de extensão e foi construída pela Construtora Cidade Ltda, com custo superior a R$ 36 milhões. A parte que ruiu corresponde a 60% da extensão, cerca de 139 metros, conforme o Corpo de Bombeiros. A ponte estava interditada desde quinta-feira (4) por risco de desabamento, mas pessoas ultrapassaram o bloqueio, conforme imagens de câmeras de segurança.
Feridos e altas hospitalares
Dos quatro feridos, três já receberam alta. Weverton Murieta, de 34 anos, foi o primeiro a deixar o hospital. Na terça-feira (9), o advogado Edinei Muniz, de 51 anos, também recebeu alta. Nesta quinta-feira (11), Antônio Morais Lima Filho, de 36 anos, deixou o Pronto-Socorro de Rio Branco após cirurgia ortopédica e retirada de dreno torácico, retornando a Sena Madureira para recuperação em casa. O único que permanece internado é o juiz aposentado Edinaldo Muniz, de 54 anos, que segue na UTI do Pronto-Socorro da capital após cirurgia no quadril.
Investigações e medidas legais
A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar as causas do desabamento, com conclusão prevista em 30 dias. Três delegados da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) foram designados para a investigação. O Ministério Público do Acre (MP-AC) também instaurou procedimento e solicitou ao DNIT uma perícia na área para identificar possíveis falhas no projeto, execução ou material.
A Justiça do Acre deferiu parcialmente medidas do governo que pedem a responsabilização da Construtora Cidade Ltda. A decisão determina que a empresa adote medidas emergenciais para proteção da população e mitigação de riscos, sob multa diária de R$ 200 mil em caso de descumprimento. A Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e o Deracre entraram com duas ações judiciais no sábado (6) para assegurar a responsabilização.
Posição da construtora
A Construtora Cidade Ltda informou que rachaduras na ponte foram identificadas uma semana antes por equipe técnica, que recomendou a suspensão da passagem de veículos e pedestres. A empresa encaminhou ao Deracre, na quinta-feira (4), recomendação para interdição devido ao risco de desabamento às margens do Rio Iaco. A construtora atribui o acidente ao fenômeno "terras caídas", comum na região amazônica, caracterizado pelo colapso ou erosão acelerada das margens dos rios.



