Júri de PMs acusados de matar delator do PCC é anulado após bate-boca
Júri de PMs acusados de matar delator do PCC é anulado

Julgamento dos PMs acusados de executar delator do PCC é anulado após bate-boca

O julgamento dos três policiais militares acusados de executar o empresário e delator do PCC Antônio Vinícius Gritzbach terminou sem veredicto. Uma sequência de discussões, acusações entre acusação e defesa e o abandono do plenário pelos advogados dos réus levou o juiz a anular o júri, considerado um dos mais aguardados do ano no Fórum Criminal de Guarulhos.

Estopim: encontro entre promotor e perito é questionado

Um dos principais momentos de atrito ocorreu após os advogados questionarem um encontro entre o promotor e um perito responsável pela coleta de provas antes do início do julgamento. "Quer combinar com a testemunha de novo? O senhor quer 5 minutinhos para falar com ele? Eu vou até no banheiro. Se o senhor quiser conversar de novo", provocou um dos advogados durante a sessão. O promotor reagiu imediatamente: "Com matador de aluguel, o senhor conversa". A fala provocou reação imediata dos advogados: "Excelência, eu não vou admitir esse tipo de aviltamento à advocacia, Excelência. A advocacia é uma função essencial na justiça. Esse sujeito é habituê não respeitar nada nem ninguém. Na próxima vez, excelência, eu devolvo a palavra a sua excelência e vou embora".

Prova contestada: DNA liga réus ao crime

O estopim ocorreu durante o depoimento do perito responsável por uma das principais provas: exames de DNA que ligam dois dos réus ao crime. Segundo a investigação, o tenente da PM Fernando Genauro dirigia o carro usado na fuga dos atiradores. O veículo foi abandonado a cerca de 7 quilômetros do Aeroporto Internacional de Guarulhos. Na mesma rua, a polícia encontrou as armas utilizadas no ataque, além de luvas, bonés e um moletom. Exames de DNA realizados na maçaneta do carro e nas roupas apreendidas apontaram que os policiais militares Juan Silva Rodrigues e Denis Martins teriam manuseado os objetos. Para o Ministério Público, o material reforça a acusação de que eles foram os executores do assassinato. Os três réus negam participação no crime.

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Defesa contesta validade da perícia

A defesa contestou a validade da perícia. Um parecer técnico elaborado a pedido dos advogados apontava supostas falhas na coleta e na análise do material genético. No tribunal, o perito da polícia rebateu, afirmando que a parecerista da defesa confundiu documentos distintos. Foi nesse momento que o clima no julgamento mudou. Os advogados afirmaram ter descoberto que o promotor havia se encontrado com o perito pouco antes do julgamento e protestaram. A defesa alegou que, se uma situação semelhante envolvesse seus advogados, o Ministério Público poderia interpretá-la como tentativa de interferir no andamento do processo.

O que diz a lei?

Especialistas ouvidos pelo Fantástico explicaram que o direito brasileiro não proíbe que promotores ou advogados conversem com testemunhas antes do julgamento. "O acesso a testemunhas não é vedado. A grande questão é que elas não podem ser sugestionadas. Não se pode determinar o conteúdo do que elas vão dizer", afirma um especialista ouvido pela reportagem.

Julgamento anulado e nova data

O episódio marcou o início de uma sequência de confrontos entre acusação e defesa que se estendeu ao longo da sessão. Novas discussões ocorreram durante o interrogatório de testemunhas e culminaram no abandono do plenário pelos advogados dos policiais militares. Diante da saída da defesa, o juiz anulou o julgamento e marcou uma nova sessão do Tribunal do Júri para 22 de fevereiro de 2027. Fernando Genauro, Juan Silva Rodrigues e Denis Martins são acusados de participar da execução de Antônio Vinícius Gritzbach, morto com disparos de fuzil em novembro de 2024, no Aeroporto Internacional de Guarulhos. Os três negam participação no crime.

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