O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) demitiu dois servidores que estavam sob investigação da Polícia Federal por suspeita de participação em um esquema de repasse irregular de aves silvestres para criadores particulares no Rio Grande do Sul. A penalidade foi publicada no Diário Oficial da União em 2 de junho de 2026.
Demissões e investigações
Entre os demitidos está Paulo Guilherme Carniel Wagner, que ocupou o cargo de superintendente do Ibama no estado em 2022 e tornou-se um dos nomes mais conhecidos no combate ao tráfico de animais no Rio Grande do Sul. Também foi demitido o analista ambiental Emerson Strack Skrabe. Segundo a Corregedoria do Ibama, ambos teriam se valido de seus cargos públicos para obter vantagens próprias ou beneficiar terceiros, conduta que resultou na aplicação da pena de demissão.
Os fatos analisados no processo administrativo disciplinar são resultado das investigações da Operação Celeno, da Polícia Federal. Em dezembro de 2024, a PF indiciou os dois servidores e outras quatro pessoas por suspeita de integrar um esquema de desvio de animais silvestres do Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Ibama, em Porto Alegre.
Detalhes do esquema
De acordo com a investigação, aves apreendidas ou resgatadas deixavam de seguir a destinação prevista e eram encaminhadas a criadores particulares. Os servidores também teriam recebido valores e outros benefícios em troca dos repasses. Entre os animais envolvidos no inquérito estava uma harpia — considerada a maior ave de rapina das Américas — que foi localizada e resgatada após a operação.
Recursos e defesa
A decisão administrativa é definitiva na esfera do Ibama, mas pode ser revista caso surjam fatos novos. Os investigados também podem recorrer à Justiça para contestar a penalidade. O Ibama emitiu um comunicado afirmando que "foram identificados elementos consistentes que evidenciaram a prática de faltas funcionais graves, passíveis de demissão".
A reportagem procurou os advogados dos dois ex-servidores. Eduardo Maluhy, que representa Paulo Wagner, disse que vai tentar a reconsideração da decisão. Michel França, advogado de Emerson Skrabe, ainda não retornou o contato.
Posicionamento do Ibama
O Ibama declarou: "A decisão administrativa mencionada decorre da conclusão de processo disciplinar instaurado para apurar possíveis irregularidades funcionais. Ao longo da instrução processual, foram identificados elementos consistentes que evidenciaram a prática de faltas funcionais graves, passíveis de demissão, nos termos da Lei nº 8.112/1990. Todo o procedimento foi conduzido em estrita observância ao devido processo legal, assegurando-se aos servidores investigados o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. A apuração administrativa também considerou informações provenientes de investigação conduzida pela Polícia Federal, cujas conclusões apontaram indícios relevantes da gravidade das condutas investigadas, contribuindo para o esclarecimento dos fatos no âmbito disciplinar. Diante do conjunto probatório reunido, o Ibama adotou as providências cabíveis previstas na legislação vigente, culminando na aplicação da penalidade de demissão, conforme publicado no Diário Oficial da União. O Instituto não compactua com quaisquer desvios de conduta funcional e atua de forma rigorosa na apuração e responsabilização de irregularidades, em alinhamento com os princípios da legalidade, da moralidade administrativa e da proteção ao patrimônio ambiental brasileiro."



