Um filhote de tubarão foi capturado acidentalmente por um pescador na Praia de Boa Viagem, localizada na Zona Sul do Recife. O incidente ocorreu na noite da última quarta-feira (10), apenas nove dias após uma jovem de 19 anos ter a perna arrancada por um tubarão na mesma praia. No dia anterior, uma criança de 11 anos também foi mordida na Praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife.
Após a captura acidental, o pescador rapidamente devolveu o tubarão ao mar. É importante destacar que caçar e matar animais silvestres ameaçados de extinção constitui infração ambiental e pode ser considerado crime, dependendo da espécie envolvida.
Vídeo mostra momento da captura
O vídeo foi publicado no Instagram pelo portal Pernambuco Fishing. As imagens mostram um homem segurando o pequeno tubarão e brincando com ele, exibindo seus dentes para a câmera e chamando o animal de "Júnior". "Olha aí. Boa Viagem, meu amor. Não vacile, não. Curioso é f***. Para a água, olha os pés, não", diz o pescador enquanto solta o tubarão no mar.
Identificação da espécie
Segundo o biólogo André Maia, não é possível identificar com certeza a espécie apenas pelo vídeo. Entretanto, ele acredita que se trata de um tubarão-cabeça-chata, a mesma espécie envolvida no ataque ao menino de 11 anos. "Eu arrisco dizer que é um tubarão-cabeça-chata, mas é muito difícil identificá-lo só observando. Seria necessário ter o animal para análises mais detalhadas, pois os filhotes são muito parecidos. É importante lembrar que o pescador fez o correto ao devolver o animal ao oceano, já que são protegidos por lei ambiental", afirmou.
Orientações do biólogo
André Maia também ressaltou que o mar é o habitat natural dos tubarões e que a educação ambiental é essencial para prevenir incidentes. "A população precisa entender que os oceanos são o lar dos tubarões. É assim que devemos tratar. Sei que, devido aos ataques recentes, as pessoas estão assustadas, mas é preciso lembrar que o oceano é o habitat natural dos animais marinhos, não nosso. O animal conseguir se reproduzir ali é normal, especialmente para espécies como o cabeça-chata, que se reproduz em áreas estuarinas", declarou.



