A exoneração de 4.283 funcionários comissionados do governo do Rio de Janeiro, anunciada como uma medida para economizar R$ 230 milhões até o fim do ano, revelou casos emblemáticos de desinformação e abandono de função. Entre os exonerados, Marcelo Cabral D’Almeida, filho do ex-vereador e ex-presidente do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), afirmou que não sabia o nome do próprio chefe, descrevendo-o como 'tipo um supervisor'. A declaração foi obtida durante a auditoria geral que identificou os servidores 'fantasmas' – aqueles que não passavam pelas catracas dos locais de trabalho nem acessavam os sistemas oficiais.
Auditoria revela ausência total de trabalho
A ação, liderada pelo governador interino Ricardo Couto, atingiu todas as 77 secretarias estaduais. A Casa Civil foi a pasta com maior número de exonerados. Os cruzamentos de dados mostraram que os comissionados não registravam entrada nos prédios públicos e não utilizavam computadores ou sistemas internos. 'É uma economia significativa para os cofres públicos, mas também um choque de gestão', afirmou o governador em coletiva. As investigações apontam ligações políticas entre os exonerados e figuras influentes da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).
Defesas dos suspeitos
Além de Marcelo D’Almeida, outros exonerados apresentaram justificativas. Alguns alegaram que trabalhavam remotamente, mas não conseguiram comprovar atividades. Outros simplesmente não responderam às intimações. 'Não sabia nem o nome do meu chefe, só via ele de longe', disse D’Almeida em depoimento. A Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade (SEAS), onde ele estava lotado, não comentou o caso individualmente. A auditoria geral, que durou seis meses, utilizou dados biométricos e de acesso a sistemas para chegar ao número de 4.283 exonerados.
Impacto financeiro e político
A economia de R$ 230 milhões representa cerca de 0,5% do orçamento estadual anual. Especialistas apontam que a medida pode ser insuficiente para equilibrar as contas, mas sinaliza um esforço de transparência. A oposição na Alerj criticou a ação, afirmando que o governo usa os 'fantasmas' como bode expiatório para desviar a atenção de problemas estruturais. O governo, por sua vez, prometeu ampliar as investigações para outras áreas. 'Não vamos tolerar que o dinheiro do contribuinte seja desperdiçado com funcionários que não trabalham', declarou Couto.



