Felipe Silva de Almeida foi condenado a 30 anos de prisão pelo assassinato da ex-companheira, Aline Ribeiro da Rosa, em Aracruz, no Norte do Espírito Santo. O julgamento ocorreu nesta quarta-feira (10) no Tribunal do Júri do município. Aline, de 35 anos, foi morta a tiros em frente a um bar em julho de 2024. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que Felipe se aproximou, conversou brevemente e efetuou diversos disparos, mesmo após a vítima cair no chão.
Detalhes da condenação
O réu foi condenado por homicídio quadruplamente qualificado: motivo fútil, uso de meio cruel, recurso que dificultou a defesa da vítima e feminicídio praticado em contexto de violência doméstica. Os jurados acolheram a denúncia do Ministério Público do Espírito Santo (MPES). Além da pena em regime inicial fechado, a sentença determinou o pagamento de R$ 200 mil de indenização aos familiares. Felipe também perdeu o poder familiar sobre os dois filhos que tinha com Aline.
Relembre o crime
O crime ocorreu em 21 de julho de 2024. Segundo as investigações, Aline foi atingida por 27 disparos. As imagens mostram o condenado, de camisa azul-clara, aproximando-se da ex-companheira. Após breve conversa, ele sacou a arma e atirou várias vezes à queima-roupa antes de fugir de carro. A Polícia Civil informou que Aline estava separada de Felipe havia cerca de três meses e já havia denunciado ameaças, pois ele não aceitava o fim do relacionamento. Ela chegou a obter uma medida protetiva, posteriormente suspensa pela Justiça.
Ligação para a polícia
No Boletim de Ocorrência, consta que Aline ligou para a polícia momentos antes do crime, enquanto estava no bar, relatando que estava sendo ameaçada pelo ex-esposo. Uma viatura da Polícia Militar foi enviada, mas quando chegou, a mulher já estava baleada. Após o crime, policiais entraram em contato com Felipe, que confessou o assassinato. Testemunhas relataram que o comportamento agressivo do condenado era recorrente desde o início do relacionamento, cerca de cinco anos antes, incluindo episódios de violência física durante a gravidez da vítima.
Perseguição virtual
Amigos de Aline contaram que parte da violência ocorria também no ambiente virtual. Felipe hackeava os perfis da ex-companheira e enviava mensagens para outros homens, tentando obter detalhes sobre sua vida íntima. Ele também se passava por Aline em mensagens para conhecidos, com o objetivo de causar má impressão sobre ela. No dia anterior ao crime, Aline fez uma postagem nas redes sociais alertando seus contatos sobre a criação de um novo perfil e pedindo que não acreditassem em mensagens falsas vindas das contas antigas.
Aline morava em uma casa alugada em Aracruz com os filhos de 1, 4 e 15 anos, e trabalhava em atividades informais. As duas crianças mais novas são filhas de Felipe, com quem ela se relacionou por cinco anos.



