Um cachorro comunitário foi vítima de maus-tratos em Jaraguá do Sul, a quase 200 km de Florianópolis. O animal foi encontrado com a genitália mutilada por um lacre, conforme relato do biólogo Christian Raboch Lempek, conhecido na web por registrar resgates de animais silvestres. O caso ocorreu na última sexta-feira (19), mas foi divulgado apenas na segunda-feira (22). O cão foi resgatado pela Fundação Jaraguaense de Meio Ambiente (Fujama), órgão onde o especialista trabalha, logo após ser encontrado ferido no município.
Biológico lamenta crueldade
“Chegando na clínica veterinária, perceberam que não era nenhuma doença. Alguém acabou colocando um lacre na genitália do animal. O cachorro provavelmente não estava conseguindo urinar”, lamentou o especialista em vídeo publicado nas redes sociais. De acordo com ele, devido ao ferimento, o órgão do animal terá de ser amputado.
Investigação em andamento
Em nota, a Fujama comunicou que está elaborando um relatório técnico sobre a ocorrência. O documento será encaminhado à Polícia Civil para auxiliar nas investigações. O órgão disse que “ainda não existem elementos suficientes para identificar a autoria do crime”. O g1 procurou a Polícia Civil, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. Até o momento, não há informações sobre quem colocou o lacre no cachorro nem há quanto tempo ele estava preso ao corpo do animal.
Desabafo do biólogo
“A humanidade está doente. A que nível de maldade a gente chegou? A pessoa que faz isso é doente, é cruel. Não devemos normalizar isso. Se ficar sabendo de algo assim, denuncie para que isso não aconteça mais e a pessoa seja punida”, desabafou o biólogo.
Maus-tratos contra animais: o que diz a lei
O artigo 32 da lei número 9.605/1998, conhecida como Lei de Crimes Ambientais, descreve maus-tratos contra animais como a prática de qualquer ato que cause dor ou sofrimento a animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos. São exemplos de atitudes que configuram maus-tratos contra animais: ferir, mutilar, envenenar ou fazer rinha; zoofilia; abandono de animais; não dar comida ou água diariamente; manter o animal em locais pequenos sem higiene e/ou circulação; manter o animal desprotegido de condições climáticas; causar sofrimento através de métodos de punição com intuito de treinar ou exibir o animal; negar assistência veterinária.
Posicionamento da Fujama
“Assim que fomos acionados, nossa equipe realizou o recolhimento do animal e ele já está recebendo todo o tratamento veterinário necessário. Esse cuidado imediato é a nossa prioridade neste momento. Faço um esclarecimento importante sobre o nosso papel. A Fujama é um órgão ambiental de natureza administrativa. Nós atuamos na proteção e no bem-estar animal, providenciando o tratamento e a apuração das infrações na esfera administrativa. Já nesse caso em específico, ainda não existem elementos suficientes para identificar a autoria, situação que demanda a atuação dos órgãos investigativos para a devida apuração e identificação. Por esse motivo, estamos elaborando um relatório técnico detalhado da ocorrência, que será encaminhado à Polícia Civil justamente para subsidiar essa investigação. Peço a compreensão de vocês. Por se tratar de um caso ainda em apuração, vamos manter reserva sobre os detalhes por enquanto, justamente para não prejudicar a investigação. Tão logo seja possível, traremos novos esclarecimentos. Ficamos à disposição”, afirmou a Fujama em nota.



