Brasileiro preso na Itália por duplo homicídio em festa neonazista
Brasileiro preso na Itália por homicídio em festa neonazista

O brasileiro João Guilherme Correa, de 35 anos, foi preso na manhã deste sábado (27) na região de Pavia, próxima a Milão, na Itália. Ele era alvo de dois mandados de prisão emitidos pela Justiça do Paraná: um por condenação pelo duplo homicídio de Bernardo Pedroso e Renata Ferreira, ocorrido em 2009, e outro por prisão preventiva pelos crimes de racismo e apologia ao nazismo, conforme informou o delegado da Polícia Civil do Paraná (PCPR), William Araújo Ribeiro.

Crime motivado por disputa em grupo neonazista

O duplo homicídio aconteceu na cidade de Quatro Barras, Região Metropolitana de Curitiba (RMC). As mortes foram motivadas pela disputa pelo comando de um grupo neonazista que simpatizava com os ideais de Adolf Hitler. Na época, Bernardo tinha 24 anos e Renata, 21. Segundo a investigação, os dois foram mortos após uma festa que tinha como tema os 120 anos de nascimento de Hitler.

João Guilherme foi condenado a 35 anos e dois meses de prisão, mas fugiu dias antes do julgamento, que ocorreu sem sua presença. Além dele, outras três pessoas foram condenadas pelo crime: Ricardo Barollo, apontado como mandante, foi condenado a 48 anos e 9 meses; Jairo Maciel Fisher recebeu pena de 32 anos e 3 meses. Os réus Rodrigo Motta e Rosana Almeida Oliveira foram absolvidos.

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Detalhes do crime

De acordo com a denúncia do Ministério Público do Paraná (MP-PR), o crime ocorreu após o casal sair da festa, realizada em uma chácara em Campina Grande do Sul, também na RMC. Eles foram seguidos por um dos denunciados. Durante o trajeto, outro carro interceptou o veículo das vítimas no acostamento, em Quatro Barras. Dois suspeitos encapuzados desceram armados com pistolas e dispararam contra o casal, que morreu no local.

Prisão e extradição

Correa foi encontrado pelas autoridades italianas em ação de cooperação internacional que incluiu a Polícia Civil paranaense. Segundo a PCPR, ele permanecerá à disposição das autoridades competentes para os procedimentos cabíveis, incluindo o processo de extradição. A família de Renata Ferreira, representada pelo advogado José Carlos Portella Junior, manifestou alívio pela prisão e espera que o assassino seja enviado ao Brasil para pagar pelo crime.

Legislação contra apologia ao nazismo

A apologia ao nazismo com símbolos, emblemas ou propaganda do regime é crime inafiançável e imprescritível no Brasil, com pena de reclusão e multa. A lei prevê reclusão de um a três anos e multa para quem praticar, induzir ou incitar discriminação ou preconceito, e reclusão de dois a cinco anos e multa para quem fabricar, comercializar ou veicular símbolos como a suástica para divulgação do nazismo.

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